O governo de Cuba, por meio de um comunicado divulgado na última terça-feira, 2 de junho de 2026, refutou as recentes acusações dos Estados Unidos (EUA) de que os dirigentes da ilha utilizam as empresas estatais para fins de enriquecimento pessoal. Em sua nota, Cuba esclareceu que o modelo do Grupo de Administração de Empresas (Gaesa) foi desenvolvido como uma resposta à guerra econômica imposta por Washington.
De acordo com o governo cubano, “seu objetivo sempre foi reunir empresas com capacidade de gerar divisas e recursos que o Estado necessita para manter e desenvolver as conquistas sociais e contribuir para a promoção de setores e ramos da vida nacional”. A declaração vem em um contexto de crescente tensão entre os dois países.
“A Gaesa não é uma estrutura opaca, nem paralela ao Estado cubano; pelo contrário, tem sido uma resposta articulada e de comprovada eficácia contra o bloqueio econômico que historicamente tentou sufocar a Revolução Cubana”, afirma o comunicado.
O governo cubano ressaltou ainda os serviços prestados pela Gaesa, mencionando a construção de mais de 10 mil residências, investimentos em educação infantil, e obras que incluem a construção de uma termelétrica em Holguín e projetos hidráulicos que beneficiaram milhões de cubanos. Além disso, a Gaesa desempenhou um papel importante em sustentar a economia do país durante os anos da pandemia de Covid-19.
As autoridades cubanas condenaram as acusações feitas pelos EUA, argumentando que elas têm como objetivo confundir tanto a população cubana quanto a opinião pública internacional. Segundo o governo de Miguel Diaz-Canel, essa nova investida contra a Gaesa visa afastar investidores estrangeiros que realizam negócios com as empresas do grupo.
“O objetivo deliberado é isolar o país diplomática, comercial, financeira e energeticamente; minar a sustentabilidade da nação; condicionar o diálogo; e considerar opções de agressão militar”, conclui o comunicado.
A pressão do governo do ex-presidente Donald Trump sobre Cuba se intensificou, resultando em cortes no acesso ao petróleo e no aumento das sanções contra quem comercializa com a ilha. Recentemente, a empresa canadense Sherritt International anunciou o encerramento de suas atividades no país caribenho, após uma nova Ordem Executiva da Casa Branca.
A historiadora cubana Caridade Massón Sena, que é professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFB), comentou que as acusações dos EUA contra a Gaesa são, na verdade, pretextos para desestabilizar o governo cubano. Ela destaca que as alegações de corrupção envolvendo a Gaesa nunca foram comprovadas.
O bloqueio econômico imposto pelos EUA tem trazido sérias consequências para a população cubana, como a escassez de petróleo, que resultou em três meses sem fornecimento. As medidas restritivas têm contribuído para o aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos e a redução do transporte público, levando muitos cubanos a considerarem que este é um dos piores momentos enfrentados pelo país.

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