Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, muitos eleitores estão indecisos. Especialistas apontam caminhos práticos para avaliar propostas, alinhar candidatos a seus interesses e fugir de armadilhas midiáticas.
A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda não definiram em quem vão votar. Neste ano, a tarefa de escolher entre tantos candidatos ficou mais difícil para parte do eleitorado, em razão de notícias relacionadas ao caso Master e à crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que reduziram o espaço dedicado ao debate de propostas.
Especialistas ouvidos pela reportagem indicam caminhos práticos que podem ajudar eleitores a selecionar candidatos com mais critérios, buscando aqueles mais alinhados aos seus interesses e evitando armadilhas como os chamados “puxadores de voto” e propostas genéricas. Entre as recomendações estão conhecer melhor a própria posição social e econômica, entender prioridades coletivas e individuais e verificar quais medidas cada candidato poderá, de fato, implementar caso seja eleito.
1) Eu, o eleitor
Antes de avaliar propostas e currículos, é importante que o eleitor faça uma autoavaliação e pense na coletividade. Perguntas que podem orientar essa reflexão incluem: a qual grupo social e econômico eu pertenço; com quais ideologias e visões de mundo me identifico; e quais problemas espero que o Poder Público priorize.
O texto traz dados que mostram diferenças de representação: as mulheres correspondem a 53% do eleitorado, mas, na atual legislatura, ocupam apenas 15 das 81 cadeiras do Senado e 91 dos 513 assentos da Câmara dos Deputados. As decisões públicas exigem escolhas distributivas e, por isso, é fundamental que o eleitor identifique suas prioridades políticas e econômicas.
“Por isso é fundamental o eleitor saber quais são seus interesses políticos e econômicos”, disse João Feres Júnior, doutor em Ciência Política da IESP UERJ.
O texto também observa que muitos eleitores não têm clareza sobre suas prioridades e que o acesso a informações de qualidade nem sempre é fácil, sobretudo quando a cobertura midiática prioriza escândalos.
2) O que faz um político?
Conhecer as atribuições de cada cargo é passo básico para evitar frustrações e reduzir as chances de cair em promessas que não cabem ao candidato. Candidatos a legislativo, por exemplo, não executam obras públicas; eles aprovam leis, fiscalizam e participam da elaboração do orçamento.
“Parte das pessoas tem pouca informação sobre as competências dos legisladores”, afirmou Débora Messemberg, socióloga e professora da Universidade de Brasília.
O texto detalha a seguir as principais competências de cada cargo, para orientar o eleitor sobre o que cada eleito poderá ou não fazer.
Atribuições por cargo
- Presidente da República: exerce o Poder Executivo e a direção da administração federal; nomeia e exonera ministros de Estado; comanda as Forças Armadas; envia ao Congresso projetos orçamentários; sanciona, promulga ou veta leis; e mantém relações com Estados estrangeiros, entre outras atribuições.
- Governadores: nomeiam e exoneram secretários estaduais; sancionam, promulgam ou vetam leis estaduais; administram a segurança pública estadual; gerem a rede estadual de ensino, hospitais regionais e infraestrutura de rodovias estaduais, entre outras competências.
- Deputados: atuam nas casas legislativas (federal, estaduais ou distrital) aprovando e modificando leis, fiscalizando o Poder Executivo e participando da elaboração do orçamento público.
- Senadores: representam a unidade federativa no Congresso Nacional; discutem, votam e aprovam leis federais; e têm atribuições como sabatinar indicados a cargos como os do Supremo Tribunal Federal.
Informar-se sobre o financiamento de campanhas, comparar propostas e avaliar o impacto prático dessas propostas na realidade local são estratégias apontadas como essenciais para um voto mais responsável. A reflexão sobre prioridades individuais e coletivas, aliada ao entendimento das competências institucionais, deve orientar a escolha nas próximas semanas.
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