As novas exigências regulatórias impostas pela União Europeia, através do Regulamento sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), poderão dificultar a comercialização da produção de café por cooperativas rurais e pequenos produtores brasileiros no mercado europeu. Essa previsão é parte de um estudo realizado pelo projeto Descarbonização e Política Industrial: Desafios para o Brasil, desenvolvido pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e divulgado nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026.
De acordo com a pesquisa, em 2024, mais da metade (51,2%) da produção de café brasileiro foi destinada ao mercado da União Europeia. Com as novas regras que entrarão em vigor gradualmente, os pequenos produtores enfrentam desafios significativos para atender aos requisitos de rastreabilidade e comprovação de que suas áreas não foram desmatadas após dezembro de 2020.
O EUDR, que visa desestimular o desmatamento nos países exportadores, condiciona o acesso ao mercado europeu à comprovação de origem sustentável dos produtos. Caso não haja essa comprovação, a importação para a UE será vetada. As pesquisadoras Kethelyn Ferreira e Marta Castilho destacam que o Brasil é classificado como um país de ‘risco padrão’, o que impõe um processo rigoroso de verificação para os produtores.
A pesquisa também revela que, entre as commodities afetadas pela nova regulamentação, o café é a mais dependente do mercado europeu, tendo mais da metade de sua produção destinada a esse bloco econômico. Além do café, o estudo menciona que outras commodities como gado bovino, cacau, óleo de palma, borracha, soja e madeira também sofrerão os impactos das novas exigências.
A economista Kethelyn Ferreira afirma que, embora o EUDR tenha um objetivo ambiental legítimo, ele pode ser visto como uma forma de ‘protecionismo verde’, beneficiando fazendeiros locais em detrimento da concorrência externa.
As consequências da nova regulamentação ainda são incertas. Ferreira observa que não é possível afirmar categoricamente que o Brasil perderá participação no mercado europeu de café, mas há indícios de que a concentração da produção pode favorecer grandes produtores que têm melhores condições para atender às exigências técnicas.
Com o adiamento da entrada em vigor do EUDR, previsto para grandes e médios produtores em 30 de dezembro de 2026 e para micro e pequenos em 30 de junho de 2027, as pesquisadoras acreditam que há uma oportunidade para uma negociação diplomática em busca de soluções que possam atenuar as restrições impostas. Entre as sugestões, destacam a possibilidade de reconhecimento de sistemas de monitoramento já existentes, como a Moratória da Soja.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
