Doença silenciosa, o câncer de pulmão tem 70–80% dos casos detectados tardiamente no mundo. No Brasil, levantamento do Instituto Lado a Lado com 14.145 registros do SUS em 2023 mostra 89,6% dos casos estadiados em fase 3 ou 4.
O câncer de pulmão é uma doença que se caracteriza por sua natureza silenciosa. De acordo com dados recentes, entre 70% e 80% dos casos de câncer de pulmão no mundo são diagnosticados em estágios avançados ou com metástase. Essa realidade se repete no Brasil, onde um estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida, por meio da plataforma Data Câncer 360º, analisou 14.145 diagnósticos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023.
Dentre os diagnósticos que apresentaram estadiamento, 89,6% (ou 7.267 pacientes) foram identificados já em estágio 3 ou 4, condições que oferecem poucas chances de cura. Apenas 10,4% dos pacientes (698 no total) conseguiram descobrir a doença em fases iniciais, sendo 307 casos no estágio 1 e 391 no estágio 2.
Os fatores de risco que contribuem para essa situação incluem tabagismo, sedentarismo, obesidade e má alimentação. O oncologista Igor Morbeck, membro do Comitê Científico do Instituto, destaca que essa exposição crescente à doenças aumenta o risco de desenvolvimento do câncer de pulmão, que é um dos mais incidentes no Brasil.
“Essa tomografia anual está disponível no SUS. É totalmente possível fazer tomografia”, lembra o médico.
Ele ressalta que a falta de um programa de rastreamento para prevenção e diagnóstico precoce de tumores, como o câncer de pulmão, é um desafio significativo. A natureza silenciosa da doença faz com que os sintomas, como tosse e falta de ar, sejam frequentemente confundidos com outras condições, levando a um atraso no diagnóstico.
O estudo também revela dados alarmantes sobre a situação atual, com quase 90% dos pacientes que chegam ao SUS já em estágios avançados da doença. Morbeck alerta que essa realidade expõe as falhas no acesso ao sistema de saúde e a necessidade de uma maior conscientização sobre a importância da prevenção.
As políticas públicas ainda não atendem a essa demanda, resultando em pacientes que buscam atendimento apenas quando já apresentam sintomas. O oncologista observa que muitos pacientes saem dos postos de saúde com diagnósticos inadequados, como um simples raio X de tórax, que não é suficiente para detectar o câncer de pulmão.
“E esses pacientes, muitas vezes, vão para casa com medicamentos, com antibióticos, e a doença só piora”, destacou.
Além disso, o ato de fumar continua sendo o principal fator de risco para câncer de pulmão, agora também afetando jovens que se viciam em cigarros eletrônicos. Morbeck enfatiza a necessidade de campanhas de conscientização, que poderiam incluir a realização de tomografias para indivíduos com fatores de risco.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que entre 2026 e 2028 surgirão 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no Brasil, refletindo a urgência de uma abordagem mais eficaz para a detecção e tratamento da doença.
O testemunho de Mônica Chain Montone, paciente do Instituto Lado a Lado pela Vida, ilustra a realidade de muitos. Ela teve câncer de pulmão pela primeira vez em 2008, e uma recidiva em 2010, resultado do tabagismo, embora tenha parado de fumar há 10 anos. Mônica defende iniciativas que promovam a prevenção e detecção precoce do câncer, essencial para salvar vidas.
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