No mês de maio, o volume de dinheiro esquecido por pessoas e empresas em bancos e outras instituições financeiras caiu para R$ 6,24 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira, 14 de julho de 2026.
A queda em relação aos meses anteriores, quando o montante ultrapassava R$ 10 bilhões, ocorreu em decorrência da transferência de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Garantidor de Operações (FGO). Este fundo é utilizado para dar suporte ao programa Desenrola Brasil, que visa auxiliar na renegociação de dívidas.
O Banco Central ressalta que, apesar dessa transferência, bilhões de reais ainda estão disponíveis para saque por pessoas físicas e jurídicas que não resgataram seus recursos. A principal razão para a diminuição do montante foi a entrada em vigor da Lei 14.973/2024, que autorizou a transferência de recursos esquecidos que permaneceram sem pedido de resgate dentro do prazo estabelecido pelo governo.
O Tribunal de Contas da União (TCU) está analisando a operação, investigando se recursos fora do Orçamento público estão sendo utilizados para programas federais. Segundo o BC, pelo menos 10% do valor transferido continua reservado para atender eventuais pedidos de resgate que possam ser feitos posteriormente pelos titulares dos recursos.
Ainda há R$ 6,24 bilhões disponíveis para devolução, sendo que R$ 4,44 bilhões pertencem a 24,08 milhões de pessoas físicas e R$ 1,8 bilhão a 2,27 milhões de empresas. Desde a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR), o Banco Central já devolveu R$ 15,47 bilhões aos titulares.
Os recursos estão distribuídos entre diversas instituições financeiras, com a maior parte concentrada em bancos, que ainda têm R$ 2,91 bilhões a devolver. As administradoras de consórcio aparecem em segundo lugar, com R$ 2,25 bilhões, seguidas por cooperativas de crédito com R$ 586,7 milhões, instituições de pagamento com R$ 311,5 milhões, financeiras com R$ 106,3 milhões e corretoras e distribuidoras com R$ 71 milhões.
Qualquer pessoa física ou empresa que tenha tido relacionamento com bancos, cooperativas, financeiras, consórcios ou corretoras pode ter dinheiro esquecido. Os recursos podem vir de contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, parcelas de empréstimos cobradas em excesso, entre outros.
De acordo com o levantamento, a maior parte dos beneficiários possui pequenas quantias: 67,6% têm até R$ 10 para receber, 19,5% possuem entre R$ 10,01 e R$ 100, 10,4% têm valores entre R$ 100,01 e R$ 1 mil e apenas 2,46% dos beneficiários possuem mais de R$ 1 mil disponíveis para resgate.
A consulta aos valores disponíveis é gratuita e deve ser feita exclusivamente pelo Sistema de Valores a Receber do Banco Central. O procedimento é simples: acessar o sistema, informar CPF ou CNPJ e os dados solicitados, verificar a existência de valores disponíveis e fazer login com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro para solicitar a devolução.
Além disso, o Banco Central também oferece uma modalidade de resgate automático para pessoas físicas que utilizam o CPF como chave Pix, permitindo que novos valores identificados sejam depositados automaticamente pela instituição financeira. Essa funcionalidade, no entanto, não está disponível para empresas, contas conjuntas ou instituições financeiras que ainda não aderiram ao sistema de devolução automática.
No caso de pessoas falecidas, é possível consultar valores esquecidos em nome delas. O pedido deve ser feito por um herdeiro ou representante legal utilizando sua própria conta Gov.br e preenchendo um termo de responsabilidade. Após localizar os recursos, será necessário entrar em contato com a instituição financeira responsável para concluir a liberação dos valores.
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