O álbum de estreia sai em 31 de agosto e já tem pré-save disponível. O single "Engoli um Bem-te-vi (Na Onda do El Niño)", com Antropoceno e sample de Ana Bonassa, aborda os impactos do Super El Niño.
O DJ Urutau anuncia para 31 de agosto seu álbum de estreia, “Ornitofagia”, projeto que combina funk, sons de pássaros e experimentalismo para tratar das mudanças climáticas a partir do imaginário de uma das aves mais enigmáticas da fauna brasileira. O pré-save para o disco já está disponível.
Como prévia do álbum, o single “Engoli um Bem-te-vi (Na Onda do El Niño)” chegou em 27 de agosto. A faixa conta com participação de Antropoceno e utiliza um sample de Ana Bonassa, do projeto Nunca Vi 1 Cientista, para abordar os impactos do fenômeno climático Super El Niño.
A música também dialoga com estudos sobre os chamados limites planetários, conceito que estabelece parâmetros para a manutenção das condições necessárias à vida na Terra. Segundo a referência utilizada no projeto, sete dos nove limites já foram ultrapassados.
O trabalho de conceito é construído em torno do urutau, também conhecido popularmente como “mãe-da-lua”. De hábitos noturnos e conhecido pela camuflagem, o pássaro tem um canto descrito como fantasmagórico e aparece associado à magia em histórias populares. Seu nome vem do tupi e pode ser traduzido como “pássaro fantasma”.
Na narrativa de “Ornitofagia”, o urutau é afetado pelo El Niño, mata e devora um bem-te-vi e absorve seu espírito, canto e conhecimentos. A partir dessa ação simbólica, a ave passa a consumir outras aves e incorporar seus poderes, ao mesmo tempo em que absorve as dores provocadas pela crise climática, como queimadas, enchentes e perda de território. Tomado pelo desejo de vingança, o urutau reúne outras aves para reagir à destruição provocada pelos humanos.
O conceito do projeto também inverte a lógica da antropofagia: em vez de ser quem devora, o artista se coloca como sujeito devorado pela própria criação, entregando seu corpo à magia do urutau-feiticeiro. Essa inversão funciona como ferramenta narrativa para discutir responsabilidade, dor e reação da natureza diante das agressões ambientais.
“Ornitofagia” dá continuidade à pesquisa de experimentalismo estético desenvolvida por Lua Viana no Antropoceno, que articula o conceito de “Futuro Ancestral”, de Ailton Krenak, a elementos tradicionais da música brasileira e gravações da Floresta Amazônica. O projeto combina referências como afoxé, MPB, capoeira e samba com linguagens de post-rock, post-metal, art rock e glitch.
Com o novo alter ego, Lua Viana desloca o protagonismo para as aves e transforma o imaginário do urutau em ferramenta para discutir a crise ambiental. O resultado promete unir música eletrônica, cultura brasileira e experimentação política em uma narrativa sobre a vingança da natureza. O perfil associado ao projeto pode ser encontrado como @_vininiv nas redes sociais.
O lançamento de “Ornitofagia” permanece marcado para 31/08, com o single de estreia já disponível desde 27/08 e o pré-save liberado para o público.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
