O longa estreia em salas brasileiras por apenas dois dias: 10/09 e 12/09. Dirigido por Will Lovelace e Dylan Southern e escrito por Steven Knight, registra a reconciliação da banda, perdão e uma homenagem aos fãs.
O documentário “Oasis: Don’t Look Back in Anger”, longa sobre os bastidores da reunião do Oasis e a turnê “Live ’25”, estreia essa semana em salas de cinemas brasileiros para dois dias de exibição: na quinta-feira (10/09) e no sábado (12/09). Os fãs poderão conferir o trabalho da dupla de diretores Will Lovelace e Dylan Southern, com roteiro de Steven Knight.
O filme pode ser descrito como um registro da reconciliação da banda, mas o roteiro vai além do protocolo: trata-se de uma história sobre perdão, aproveitar oportunidades e uma carta aberta de amor aos fãs que lotaram estádios e se deslocaram pelo mundo em 2025 para testemunhar a reunião dos irmãos Gallagher. O roteiro coloca os fãs como co-protagonistas ao longo de toda a narrativa.
O filme começa com uma breve linha do tempo que reconta a história da banda desde a sua gênese em 1991, pontuando a crescente rivalidade entre os irmãos Gallagher e a separação em Paris em 2009. Em seguida, cria o contraste com as cenas que mostram a banda em 2025. Não há contextualização detalhada sobre a reaproximação entre Liam e Noel: o público é introduzido diretamente à rotina de ensaios, inicialmente sem o vocalista principal, que chega dias depois, no horário limite, e sai do estúdio de forma teatral enquanto o último acorde ainda soa na sala.
Se já não conhecêssemos o resultado da turnê, o filme sugere que havia potencial para a situação ruir novamente: Liam aparece como um rockstar indomável e imprevisível, testando a paciência do irmão profissional, mas também se mostrando mais focado e saudável, capaz de entregar performances ao nível do auge.
“Encantador”
“Eu só queria saber o que ele está pensando a respeito disso tudo”
Os ensaios rendem momentos de alívio cômico, com Noel atuando como diretor musical, lembrando melodias e cortando partes das músicas executadas por Andy Bell, Bonehead e Gem Archer. Após o primeiro show de volta, Noel admite, nervosamente, que “subestimou completamente” a situação na qual estava se metendo.
O filme não segue uma sequência cronológica estrita: por 2 horas, há um vai e vem entre cidades, reações do público e performances completas de canções como “Roll With It”, “Acquiesce”, “Wonderwall” e “Cigarettes & Alcohol”, que soam grandiosas na sala de cinema assim como nos estádios da turnê.
A direção de fotografia de Haris Zambarloukos ajuda a retratar a intensidade e a carga emocional dos shows, mostrando ângulos do palco, bastidores nervosos e momentos íntimos dos fãs em cidades como São Paulo, Tokyo, Buenos Aires e Manchester. Ao longo do filme, relatos de fãs de diversas nacionalidades aparecem contando suas conexões emocionais com a banda, incluindo uma jovem brasileira que superou uma depressão com as músicas do Oasis e nomeou o seu cachorro com o apelido do guitarrista Bonehead, e o criador de uma música de torcida do clube argentino San Lorenzo baseada na melodia de “Wonderwall”.
O documentário também destaca as imagens das apresentações em São Paulo, incluindo as execuções de “Bring It On Down” e “Live Forever” no estádio Morumbi, que recebeu o encerramento da turnê. A passagem pelo Brasil é marcada pela coincidência com a data de morte de Gary “Mani” Mounfield, baixista do Stone Roses e amigo dos Gallagher, homenageado durante “Live Forever” nos shows de São Paulo, em um momento emocionalmente delicado para a banda.
Ao longo das duas horas, o filme apresenta o universo do Oasis de forma mitológica e quase messiânica, mostrando a peregrinação dos fãs em direção aos estádios e a devoção às letras como fonte de inspiração. A desconfiança inicial de fãs e imprensa sobre a viabilidade da reunião, desde o anúncio dos shows em 2024 até a primeira nota da turnê, é abordada e encontra alívio numa cena com a voz de um padre católico que faz um sermão sobre o perdão infinito entre irmãos, refletindo o impacto da reconciliação.
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