Neste 19 de junho, o mundo se une para conscientizar sobre a Doença Falciforme. A hematologista Marimília Pita alerta: a condição é sistêmica, hereditária e exige atenção de toda a sociedade.
A Doença Falciforme é uma condição genética que vai além da anemia, como frequentemente é conhecida. Neste dia 19 de junho, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, uma data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a visibilidade dessa condição, reduzir o preconceito e melhorar o acesso ao diagnóstico e tratamento.
Em uma recente entrevista, a hematologista Marimília Pita, fundadora da ONG Lua Vermelha, esclareceu que a Doença Falciforme é uma doença sistêmica que afeta todos os órgãos e é transmitida de pais para filhos. Segundo a médica, “todo doente falciforme é anêmico”, mas a condição vai além disso, causando complicações em diversos órgãos ao longo da vida do paciente.
A doença é caracterizada pela alteração nas hemácias, ou glóbulos vermelhos, que, em vez de terem um formato oval, assumem uma forma alongada, semelhante a uma foice. Essa alteração provoca uma redução na durabilidade das hemácias, que se quebram antes do tempo normal, resultando em anemia constante para o paciente. Além disso, as hemácias falciformes podem obstruir vasos sanguíneos, levando a microinfartos em diferentes partes do corpo.
A hematologista ressalta a importância do diagnóstico precoce, que pode ser realizado através do Teste do Pezinho, exame gratuito para recém-nascidos. O diagnóstico imediato permite um acompanhamento mais eficaz e a prevenção de infecções, que são uma das principais causas de morte entre os pacientes antes dos 7 anos.
Outro aspecto importante da Doença Falciforme são as crises de dor intensa, que ocorrem devido à obstrução de vasos sanguíneos. Essas dores, que podem ser tão severas a ponto de exigir internação em unidades de terapia intensiva, muitas vezes não são tratadas adequadamente, levando a um agravamento da condição clínica do paciente.
A médica também destaca o impacto do racismo estrutural na vida dos pacientes com Doença Falciforme, que é mais prevalente na população negra, refletindo uma complexa relação entre saúde e condição socioeconômica no Brasil. Ela enfatiza que a Doença Falciforme é uma condição global, afetando diversas etnias e regiões do mundo.
Conscientizar a população sobre a Doença Falciforme é essencial para promover um melhor entendimento e acolhimento aos pacientes, além de estimular a busca por tratamento e apoio adequado.
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