No Lincoln Financial Field, Sheeran afirmou que quer que sua música promova união, não política, e descreveu a crise em Gaza como grave e sem justificativa. Artistas de abertura saíram em solidariedade a Macklemore.
Ed Sheeran abriu seu show solo no sábado (19) com comentários sobre a situação em Gaza, em meio a uma semana marcada por controvérsias na turnê. Artistas de abertura deixaram a série de apresentações em solidariedade a Macklemore, que havia sido retirado da programação após declarar apoio à Palestina no palco.
No início da apresentação no Lincoln Financial Field, o cantor afirmou que pretende que sua música e seus shows falem de união e humanidade, e não de política. Sheeran também abordou “a questão de qual é a minha posição sobre a situação em Israel e na Palestina” e fez um pronunciamento detalhado sobre os eventos recentes.
“O que aconteceu em Israel e no festival de música Nova em 7 de outubro foi horrível e agravou séculos de sofrimento judaico. O que está acontecendo em Gaza é catastrófico, injustificável e desproporcional. Meu coração está partido pela dimensão da devastação e da perda de vidas de civis, de vidas de crianças, e a injustiça sistêmica que estamos vendo acontecer na Cisjordânia não pode ser ignorada”, disse Sheeran no palco.
O artista acrescentou que tem buscado diálogo para compreender diferentes posições e encontrar maneiras de ajudar as vítimas desses tempos difíceis. Em outro trecho do discurso, Sheeran afirmou que vinha conversando com pessoas de diferentes posições e que precisava ouvir e aprender, reconhecendo que “não sei o suficiente”.
“Já estou conversando com pessoas de diferentes posições para entender como posso fazer uma contribuição que ajude as vítimas destes tempos terríveis, além de ouvir e aprender, porque não sei o suficiente”.
A saída da banda irlandesa Beoga também obrigou mudanças na apresentação: a parte do espetáculo realizada habitualmente em um segundo palco, no meio do público, foi cancelada por motivos de segurança. Para algumas músicas, Sheeran apresentou uma formação montada apenas para aquela noite, liderada pela violinista Alicia Enstrom. O cantor não informou se esses músicos seguiriam na turnê nas apresentações seguintes.
Perto do fim do show, Sheeran voltou ao tema e falou sobre o impacto pessoal da sequência de eventos. Ele disse ter vivido “uma das piores semanas” de sua vida, que não sabia se a turnê continuaria nem se queria seguir como artista, e que havia recebido pedidos para cancelar shows. Ao verificar as vendas, relatou ter visto cerca de 50 mil pessoas que mantiveram os ingressos, e declarou que a noite foi muito significativa para ele.
“Esta noite foi, sinceramente, o melhor show da minha vida”.
Antes do espetáculo, um pequeno grupo de manifestantes pró-Palestina se reuniu fora do estádio. Uma moradora da Filadélfia, que havia pedido reembolso, disse que se considerava até então grande fã e entendeu que toda arte e música têm dimensão política. Outra espectadora afirmou não acreditar que o músico tivesse cometido erro e defendeu que o show deveria ser um momento de união.
“Eu era, até esta semana, uma grande fã de Ed Sheeran. Acho que toda arte é política, e toda música é política. Então essa escolha, mesmo que ele dissesse que não era cúmplice, é uma escolha política.”
“Um show deveria ser para as pessoas aproveitarem a música. A música deveria unir as pessoas. Todos têm direito à liberdade de expressão, mas nem toda plataforma é o lugar para isso.”
O episódio teve início após a retirada de Macklemore da turnê, depois de ele gritar “Palestina livre” em apresentação em 5 de setembro, em Nova Jersey. Sheeran afirmou que não foi responsável pela decisão, que foi tomada após pressão de Robert Kraft. Macklemore havia anunciado que doaria US$ 1 milhão a iniciativas de apoio aos palestinos e pediu que Kraft igualasse a quantia; um porta-voz afirmou que Kraft e Sheeran concordaram, cada um, em doar US$ 2 milhões, sem detalhar o destino dos recursos.
A Loop Tour vinha sendo grande sucesso de bilheteria: a turnê foi apontada como a de maior arrecadação do mundo, com média de bilheteria superior a US$ 7 milhões por cidade, segundo dados divulgados em maio, e até o fim de 2025 Sheeran figurava entre os artistas com maior arrecadação desde 2021. Sheeran também declarou que a produtora responsável pela turnê teve a palavra final sobre a decisão de retirar Macklemore da programação.
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