Daniela Costa, consultora da Unesco no Brasil, afirmou no 4º Encontro de Educadores que apenas levar aparelhos às escolas não basta. É urgente formar pensamento crítico para o uso responsável da IA.
O uso crescente de tecnologias, especialmente a inteligência artificial (IA), deve ser acompanhado por um pensamento crítico, segundo a educadora Daniela Costa, que atua como consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.
Durante sua participação no 4º Encontro de Educadores do Século XXI, realizado no Rio de Janeiro, Daniela destacou que a inclusão digital deve ir além de simplesmente fornecer tecnologias a estudantes e professores. “Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”, afirmou.
Daniela Costa é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Em sua fala, a educadora enfatizou que é fundamental estabelecer objetivos claros e orientar os alunos sobre como utilizar as tecnologias de forma crítica e responsável. “Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, defendeu.
O evento, organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), também teve a apresentação de dados que evidenciam tanto avanços quanto preocupações na relação entre alunos e o uso de tecnologias no ensino. Daniela citou, por exemplo, que na China, a distribuição de gravações de aulas de alta qualidade para 100 milhões de estudantes rurais resultou em uma melhoria de 32% nos seus resultados acadêmicos, além de reduzir em 38% a desigualdade salarial entre zonas urbanas e rurais.
Entretanto, a educadora também trouxe à tona preocupações relacionadas ao uso excessivo de dispositivos móveis. “A simples proximidade de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países”, alertou. Ela mencionou a Lei Federal 15.100, sancionada em janeiro de 2025, que proíbe o uso de celulares durante as aulas e intervalos. Dados do Cetic.br indicam que, em 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem levar celulares para a escola, sendo que essa regra é menos rigorosa em instituições de ensino médio, onde apenas 31% impõem a restrição.
Além disso, Daniela destacou que os alunos de ensino médio têm utilizado aplicativos de vídeo, como YouTube e TikTok, como principais recursos para pesquisas escolares. Esses aplicativos foram mencionados por 89% dos estudantes como a ferramenta mais utilizada, seguidos por sites de busca como o Google, com 88%. Ela também observou que apenas um terço dos alunos brasileiros relatam terem recebido orientações sobre os erros das IAs.
A educadora reforçou a importância dos professores como referências no uso de tecnologias digitais. Entre 2022 e 2024, o percentual de estudantes que afirmaram se informar sobre o uso das tecnologias com os professores subiu de 44% para 56%. No entanto, houve uma queda na proporção de docentes que participaram de formações continuadas sobre tecnologias, passando de 65% em 2021 para 54% em 2024. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamentou Daniela.
Por fim, enfatizou a importância de um compromisso social em relação aos educadores, afirmando que “não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
