Pesquisa da ONG Tackle HIV alerta para 440 mil mortes evitáveis até 2030 por desinformação e estigma. Gareth Thomas diz que o medo de testar e iniciar tratamento, além da rejeição social, agrava a crise.
A desinformação e o estigma social em torno do HIV são questões que podem resultar em cerca de 440 mil mortes evitáveis nesta década, conforme apontam projeções de uma pesquisa internacional de opinião pública, realizada pela iniciativa não governamental Tackle HIV.
O representante e um dos idealizadores do projeto, Gareth Thomas, destaca que o estigma gerado em relação ao HIV causa impactos significativos na sociedade. Ele menciona que isso resulta em medo de realizar testes, receio em iniciar tratamentos e a dificuldade em conviver com pessoas que vivem com o vírus.
“Esse estigma traz impactos enormes para a sociedade em geral: seja o medo de fazer o teste, o medo de tomar os medicamentos ou o medo criado pelo preconceito de conviver com pessoas que vivem com HIV”, afirma Thomas.
A Tackle HIV enfatiza que, apesar dos avanços científicos na luta contra o HIV, o medo e a desinformação continuam a afastar as pessoas do diagnóstico e do tratamento. Embora as taxas de novas infecções e mortes relacionadas à Aids tenham alcançado os menores níveis globais em 2025, a realidade é que, em alguns países, incluindo o Brasil, o número de casos ainda apresenta aumento.
Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, foram registrados 39.216 casos de infecção pelo HIV no Brasil, com a maioria das notificações (38,4%) ocorrendo na região Sudeste. Gareth Thomas acredita que compreender as respostas locais a essa situação é crucial para a formulação de soluções eficazes.
“Toda vez que vamos a um novo país ou a uma nova região, fazemos uma pesquisa com os moradores locais para entender o trabalho que precisamos realizar ali, seja focado em uma determinada característica ou em um grupo específico”, explica Thomas.
A pesquisa revelou que 36% dos brasileiros entrevistados acreditam que homens héteros não estão em risco de contrair o HIV, enquanto 37% compartilham a mesma crença em relação às mulheres heterossexuais. Apenas 48% dos participantes já realizaram o teste de HIV, e entre os que consideraram fazê-lo, a maioria alegou que não se considera em risco.
Além disso, constatou-se que 19% ainda acreditam que pessoas vivendo com HIV não podem manter uma vida sexual ativa, enquanto apenas 29% sabem que indivíduos em tratamento eficaz e com carga viral indetectável não transmitem o vírus durante relações sexuais.
O Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids, em alinhamento com a Agenda 2030 da ONU, visa erradicar a Aids como uma ameaça à saúde pública, com metas como o “95-95-95”, que foram alcançadas em países como Botsuana e Ruanda. O Brasil já alcançou a primeira meta em 2020, com 95% das pessoas vivendo com HIV conhecendo seu status sorológico.
Na última terça-feira (28), o Governo Federal demonstrou interesse na profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, que pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses, e está avaliando a possibilidade de incluir essa estratégia de prevenção no SUS.
A Tackle HIV, idealizada por Gareth Thomas, é uma campanha global que busca combater o estigma e a desinformação acerca do HIV. Desde que se declarou publicamente como portador do vírus, Thomas tem sido uma voz ativa na luta contra a discriminação e enfatiza a importância de desmistificar o diagnóstico.
“É fundamental passar a mensagem importante de que receber um teste positivo, com todos os avanços da ciência e da medicina, não é mais uma sentença de morte”, finaliza Thomas.
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