O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) manifestou preocupações em relação ao funcionamento do sistema de pagamentos brasileiro, o Pix. Segundo o USTR, a tecnologia nacional estaria prejudicando injustamente as empresas norte-americanas que atuam no setor de pagamentos eletrônicos, como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay.
O documento divulgado pelo USTR afirma que as políticas do Brasil, que favorecem o Pix, são consideradas injustas e discriminatórias para com os provedores de serviços de pagamento dos EUA. “Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial concedido ao Pix são injustos e discriminatórios”, destaca o relatório.
“É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de tarifas”, enfatiza o relatório.
A conselheira jurídica geral do USTR, Jennifer Thornton, acrescenta que o Banco Central do Brasil, ao atuar como regulador e operador do Pix, cria um conflito de interesses. Segundo ela, o banco estaria favorecendo o sistema nacional em detrimento de provedores estrangeiros, o que poderia caracterizar uma prática desleal.
O relatório, que foi publicado na noite de 1º de junho de 2026, é resultado de uma investigação que teve início há um ano, durante a administração do ex-presidente Donald Trump, sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. O documento sugere que, entre outras medidas, os EUA poderiam considerar a imposição de uma tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros.
O governo brasileiro e as empresas que alegam ter sido prejudicadas têm até o dia 15 de julho para se manifestar sobre o relatório. Após essa data, os EUA poderão adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.
O relatório do USTR também menciona que o Banco Central exige que instituições financeiras com mais de 500 mil contas utilizem o Pix, além de exigir que o sistema de pagamento gratuito seja destacado nos sites e aplicativos das instituições financeiras.
“O Pix representa um ônus ou uma restrição ao comércio dos EUA, impondo custos aos provedores de serviços americanos”, afirma Jennifer Thornton.
A investigação sobre o Pix pode ser vista como parte do contexto competitivo entre o sistema brasileiro e outras alternativas de pagamento, como o WhatsApp Pay e as bandeiras de cartão de crédito dos Estados Unidos. A crescente popularidade do Pix, que também começou a ser utilizado como alternativa ao dólar em transações internacionais, tem gerado críticas e pressão sobre o governo dos EUA, conforme noticiado por veículos de comunicação especializados em economia.
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