Um importante projeto voltado para a estruturação da cadeia de produção da malva, uma planta nativa da Amazônia, receberá financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A malva, cuja fibra é extraída por famílias ribeirinhas, é utilizada na fabricação de têxteis e possui um grande potencial para o desenvolvimento regional.
A proposta do projeto foi feita pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), uma empresa com 40 anos de atuação no estado do Pará, que trabalha com produtos derivados da juta. O objetivo central é introduzir tecnologias que melhorem as condições de trabalho, aumentem a produtividade e possibilitem a produção de têxteis com maior valor agregado.
Rodrigo Secioso, superintendente da área de Cadeias Agroindustriais e Defesa da Finep, ressaltou que essa cadeia produtiva enfrenta diversos desafios, como o baixo nível de tecnificação desde o plantio até o beneficiamento das fibras. O cultivo da malva ocorre em áreas de várzea, onde as sementes são lançadas nos leitos dos rios quando as águas estão baixas, e a colheita acontece no início da cheia.
“A falta de estrutura adequada para colheita, transporte, secagem, prensagem e armazenamento traz riscos e prejuízos para os produtores. O produto final ainda tem uso restrito, e os compradores são poucos”, afirmou Secioso.
Recentemente, a fibra de malva ganhou destaque na mídia internacional, quando a atriz brasileira Alice Carvalho usou um vestido feito de tecido produzido pela CTC, combinando juta e malva, na cerimônia do Oscar. Contudo, a malva tradicionalmente tem sido utilizada na produção de sacarias, cordas, tapetes e estofamentos.
O projeto financiado pela Finep prevê a realização de estudos para aprimoramento das espécies, criação de maquinário para colheita e separação de sementes, além do desenvolvimento de infraestrutura digital para a gestão do cultivo. Também serão avaliados mecanismos financeiros para produção em escala e consolidação de negócios comunitários que possam ser replicados em outras regiões.
O investimento total no projeto é de R$ 25,7 milhões, sendo que R$ 15,2 milhões, ou 60% do total, serão financiados pela Finep como subvenção. Este apoio é considerado essencial para viabilizar iniciativas que trazem benefícios diretos e indiretos para as comunidades locais.
Participam do projeto, além da Companhia Têxtil de Castanhal, três instituições científicas e tecnológicas: a Universidade Federal da Amazônia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), além de quatro empresas: Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41.
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