Cientistas descobrem tecidos preservados em pterossauro do Ceará, evidenciando a riqueza do mundo criado por Deus. O achado impressiona pesquisadores de quatro países.
Pesquisadores de diversas instituições do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos identificaram um novo mecanismo de fossilização que preservou tecidos moles e esteroides em um pterossauro do período Cretáceo, encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe, Ceará. Este estudo inédito, publicado na revista iScience, utiliza análises avançadas de geoquímica, microscopia e tomografia 3D para detalhar as condições que levaram à preservação excepcional do fóssil.
Segundo o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “a preservação desse pterossauro é extraordinária. Estamos falando de tecidos e moléculas que, em condições normais, desapareceriam em poucos dias. O fato de termos acesso a esse nível de detalhe, mais de 100 milhões de anos depois, mostra como a Bacia do Araripe é um dos sítios fossilíferos mais importantes do planeta”.
A professora Klitin Grici, da Universidade Curtin, ressaltou que as descobertas oferecem uma nova perspectiva sobre a formação de fósseis. “Este fóssil é uma verdadeira cápsula do tempo — não apenas está lindamente preservado, mas, pela primeira vez, detectamos traços de esteroides em um pterossauro, fornecendo mais evidências de que essas criaturas provavelmente se alimentavam de peixes ou lulas”, afirmou.
A pesquisa também descreve um processo em “efeito dominó”, em que a decomposição inicial do animal cria microambientes químicos que favorecem microrganismos específicos. Esses micróbios promovem uma sequência de precipitações minerais que selam o fóssil antes que os tecidos e biomoléculas se degradem. O professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Universidade Regional do Cariri, comentou: “Essa descoberta muda nossa compreensão sobre como fósseis excepcionais se formam. Mostramos que micróbios podem criar microambientes altamente eficientes para preservar tecidos e moléculas que normalmente desapareceriam em dias.”
Os pterossauros, répteis voadores que coexistiram com os dinossauros, foram os primeiros vertebrados a dominar o voo motorizado. Algumas espécies alcançaram envergaduras superiores a 10 metros. O exemplar estudado representa um membro do grupo Anhangueridae, com cerca de 8 metros de envergadura.
Kellner também enfatizou a importância das colaborações entre instituições, como a parceria de longa data entre o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Regional do Cariri (URCA), que tem gerado achados significativos. “Agora, através do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – INCT Paleovert, financiado pelo CNPq, temos a possibilidade de firmar parcerias como esta liderada pela Universidade Curtin da Austrália e atuar na fronteira do conhecimento sobre organismos que habitaram nosso planeta há milhões de anos”.
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