A seleção iraniana desembarcou no México para a Copa do Mundo, evitando pisar em solo americano. O episódio evidencia como o esporte reflete os conflitos entre nações nestes tempos desafiadores.
A seleção iraniana chegou ao México na madrugada deste domingo, 7 de junho, para a disputa da Copa do Mundo de Futebol. Este torneio, que ocorrerá simultaneamente em três países — México, Estados Unidos e Canadá —, marca um momento singular na história do futebol, pois é a primeira vez desde a criação da Copa do Mundo, em 1930, que uma nação anfitriã recebe um país com o qual está em conflito.
A delegação iraniana, que inicialmente estava programada para se hospedar no Arizona, nos Estados Unidos, teve que mudar seus planos e agora ficará em Tijuana, no México. Apesar da mudança de base, a seleção do Irã jogará suas três partidas da fase de grupos nos Estados Unidos. Os dois primeiros jogos estão agendados para os dias 15 e 21 de junho, contra Nova Zelândia e Bélgica, respectivamente, enquanto o terceiro jogo acontecerá no dia 26 de junho, em Seattle, contra o Egito.
O contexto geopolítico é tenso, uma vez que o Irã e os Estados Unidos estão em um estado de guerra desde fevereiro. Em entrevista à imprensa, um funcionário do Departamento de Estado dos EUA confirmou que os vistos foram concedidos aos atletas e à equipe de apoio da seleção iraniana, mas ressaltou que “não permitiremos que a seleção iraniana abuse desse sistema para levar terroristas para os EUA sob falsos pretextos”.
“Viajar por tanto tempo, indo e voltando em voos, deixará os jogadores cansados. Os problemas de coordenação e perda de tempo poderão afetar a performance da nossa seleção”, disse Abolfazl Pasandideh, embaixador do Irã no México, em coletiva de imprensa.
Pasandideh também expressou sua preocupação com a necessidade da seleção viajar para os EUA no mesmo dia de suas partidas, o que, segundo ele, pode prejudicar o desempenho da equipe. Ele destacou que a participação do Irã na Copa do Mundo, em meio a um ataque militar, simboliza o desejo de paz de seu povo.
Infelizmente, nem todos os membros da delegação têm garantida sua presença no torneio. De acordo com informações da federação de futebol do Irã, vários integrantes da equipe, incluindo membros importantes da gerência e da administração, não conseguiram obter vistos. Isso levanta questões sobre o cumprimento das obrigações dos Estados Unidos como país anfitrião e possíveis violações das normas da Federação Internacional de Futebol (Fifa).
O embaixador Pasandideh informou que cerca de 15 dos 70 membros da delegação que chegaram a Tijuana não conseguiram os vistos necessários para entrar nos EUA, o que poderá impactar a participação do Irã na competição.

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