Lançado em 27/08, 'Jota Quest e Tim Maia: Dance Enquanto é Tempo' reúne 15 releituras, incluindo 'Seroma', feita com depoimentos de Tim. O single 'Acenda o Farol' traz vocais originais de Tim em dueto com Rogério Flausino.
O Jota Quest apresenta um projeto de tributo a Tim Maia com o álbum “Jota Quest e Tim Maia: Dance Enquanto é Tempo”, lançado em 27 de agosto. O trabalho reúne 15 releituras do repertório do cantor, incluindo a faixa funk “Seroma”, construída a partir de depoimentos de Tim. O disco também traz como primeiro single a regravação de “Acenda o Farol”, que reúne vocais originais de Tim Maia em um dueto com o vocalista Rogério Flausino.
A conexão com Tim Maia remonta a 1998, quando o grupo ainda se chamava J. Quest e teve contato direto com o artista. Tim chegou a autorizar a presença da banda em sua apresentação, em um episódio que acabou ficando marcado na história do quinteto. No dia 15 de março de 1998, Tim Maia morreu de falência múltipla de órgãos, aos 55 anos.
“Quando o Tim morreu, a gente ficou órfão. Tínhamos acabado de encontrar com ele no hotel.”
O vocalista Rogério Flausino relata que, desde então, a ideia de um tributo não foi abandonada. A elaboração do álbum ganhou força durante o período de férias após a turnê Jota25, que celebrou os 25 anos de carreira da banda. Naquela turnê, o grupo realizou 300 shows em 30 meses, segundo relato do vocalista. Durante a pausa, o baixista PJ começou a experimentar com o repertório de Tim Maia, trabalhando inicialmente em faixas como “Estrela do meu Show” e “Acenda o Farol”.
O projeto contou também com a anuência da família de Tim Maia, representada pelo filho Carmelo, que ouviu a versão de “Acenda o Farol” e se emocionou. Rogério descreveu a reação de Carmelo ao ouvir a regravação.
“Ele começou a chorar assim que escutou a canção.”
Musicalmente, o Jota Quest se afirma no álbum como um grupo que incorpora elementos de pop, funk e soul, com formação que destaca a seção rítmica e arranjos de teclados e guitarra. A formação citada inclui Rogério Flausino no vocal, PJ no baixo, Paulinho Fonseca na bateria, Marco Túlio na guitarra e Márcio Buzelin nos teclados.
“Nos seus trinta anos de carreira podemos falar, com certeza, que o Jota Quest é o grupo brasileiro que melhor soube viver o hedonismo pregado pela música pop. São cinco cabeças diferentes, mas que caminham na mesma direção…”
O álbum também remete ao início da trajetória do grupo, quando o disco de estreia já reunia releituras e composições próprias, unindo canção popular e elementos da soul music brasileira dos anos 1970. Rogério recorda dificuldades da fase inicial, incluindo situações de deslocamento durante as idas ao estúdio.
“A van que levava a gente para o estúdio fazia bicos de transporte de animais. Um dia ficamos cheios de pulga.”
Hoje, 06 de setembro, o Jota Quest sobe ao palco do Rock in Rio, dividindo a programação com artistas como Calvin Harris, Nelly, Black Eyed Peas e Barão Vermelho. O lançamento do tributo a Tim Maia e a apresentação no festival marcam um momento de revisitação da trajetória do grupo e de reaproximação com as raízes da soul music brasileira.

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