Como repórter d'O Globo, Léa Penteado publicou em agosto de 1984 a matéria que lançou o projeto de Roberto Medina. Sua cobertura e trabalho nos bastidores a tornaram peça-chave para a realização do festival.
Léa Penteado é lembrada por sua participação nos primeiros passos de um dos maiores festivais de música do mundo. Mineira de nascimento, carioca de adoção e atualmente vivendo na Bahia, ela acompanhou de perto o surgimento do projeto idealizado por Roberto Medina e acabou se tornando uma peça-chave na cobertura e na organização do evento.
Repórter de entretenimento do jornal carioca O Globo, Léa publicou, em agosto de 1984, uma matéria sobre o sonho do empresário de realizar um grande festival. A publicação rendeu espaço e colocou em evidência um projeto que parecia audacioso para muitos, mas que ela acreditou desde o início.
“Falaram que o Medina estava dando entrevista para falar sobre um festival que ele ia fazer, que era maluco e não sei o quê”
“Como eu havia morado nos Estados Unidos, aquilo fazia sentido”
Após essa primeira cobertura, Léa passou a acompanhar o que vinha a ser planejado. Ela foi setorista do festival no jornal e recebeu informações diretamente do empresário responsável pelo projeto. Em relatos sobre o período, ela recorda que era informada sobre chegadas de agentes e negociações que sinalizavam a dimensão do que estava sendo montado para o público.
“Roberto me ligava e dizia: ‘olha, hoje está chegando o empresário do Queen'”
No processo de organização e divulgação, a imprensa internacional também contribuiu para a percepção pública sobre a grandiosidade do evento. Só quando uma publicação estrangeira abordou o projeto é que parte da imprensa local passou a dimensionar a magnitude do festival.
Léa descreve com detalhes técnicos a sua imersão no tema: espaço, infraestrutura, equipamentos e logística. À época, ela assumiu protagonismo na cobertura e participou da redação montada atrás do palco, contribuindo para a produção de material informativo sobre o evento.
“Naquela altura, a pessoa que mais entendia de Rock in Rio era eu: sabia quantos quilômetros, quantos metros quadrados de grama, as luminárias, os postes de luz, bailarinas, quantos fios, quantos caminhões de terra… Eu sabia tudo”
Com o tempo, Léa tornou-se a primeira assessora de imprensa do Rock in Rio, função que passou a exercer oficialmente em 1991. O trabalho envolveu, entre outras atribuições, treinamento de voluntários e a organização de uma sala de imprensa — prática ainda pouco comum naquele período. Em 1990, diante de uma crise pessoal envolvendo o idealizador do festival, ela teve papel central na interlocução com a mídia.
Ao longo dos anos, Léa colaborou em edições posteriores do festival, incluindo as de 2001 e 2004 em Lisboa. No mesmo ano da experiência lusitana, ela mudou-se para Santo André, na Bahia, onde administra uma pousada, mas mantém vínculo com o jornalismo.
“No próximo, quero você direto comigo”
Nesta edição do Rock in Rio, Léa está presente para acompanhar e consagrar um projeto ao qual dedicou parte importante da carreira, confirmando a aposta que fez no início dos anos 1980.
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