A primeira edição do AFROPUNK Experience chega ao Recife em 12 de setembro, no campus da UFPE. Lia de Itamaracá divide o palco com Daúde na estreia do projeto no estado, que reúne artistas locais e convidados.
A primeira edição do AFROPUNK Experience Recife começa com uma artista que sintetiza parte da história cultural de Pernambuco. Lia de Itamaracá, conhecida como a “rainha da ciranda”, foi escalada para se apresentar ao lado de Daúde no evento marcado para 12 de setembro, no campus da Universidade Federal de Pernambuco, a UFPE.
A programação do encontro será formada ainda por outros nomes anunciados, em uma estreia que representa a chegada do projeto ao estado a partir de referências locais. Será a primeira passagem do AFROPUNK pelo Recife, numa nova etapa de expansão pelo país, depois da edição carioca e antes do festival principal, realizado nos dias 7 e 8 de novembro, em Salvador.
Atrações anunciadas para o AFROPUNK Experience Recife
- Lia de Itamaracá
- Daúde
- Ebony
- Linn da Quebrada
- Barbarize
- Marley no Beat
- DJ Boneka
Mulher negra, nascida e criada na Ilha de Itamaracá, Lia transformou uma manifestação popular pernambucana em um repertório que circula pelo Brasil e pelo exterior. O nome artístico de Lia é Maria Madalena Correia do Nascimento. Ela nasceu em 12 de janeiro de 1944, na Praia do Sossego, na Ilha de Itamaracá, no litoral norte pernambucano.
Lia começou a cantar ciranda aos 12 anos e realizou suas primeiras apresentações ainda jovem, em festas, praias e estabelecimentos da região. Durante boa parte da vida, a música dividiu espaço com outros trabalhos: atuou como empregada doméstica, cozinheira e merendeira de uma escola pública, chegando a preparar diariamente a alimentação de cerca de 300 estudantes em dois turnos, atividade que exerceu por aproximadamente três décadas sem abandonar as apresentações e as rodas de ciranda.
O primeiro álbum de Lia de Itamaracá, “A Rainha da Ciranda”, foi lançado em 1977. Apesar da repercussão inicial, a cantora passou mais de 20 anos sem gravar outro disco, continuando a compor, cantar e participar de rodas. Uma virada ocorreu em 1998, quando participou do festival Abril Pro Rock, no Recife, o que recolocou seu nome em circulação nacional e abriu caminho para o álbum “Eu Sou Lia”, lançado em 2000. O disco teve primeiras tiragens esgotadas e impulsionou shows em diferentes estados e turnês na Europa.
Nos anos seguintes, Lia lançou “Ciranda de Ritmos” (2008) e “Ciranda sem Fim” (2019). O álbum de 2019, produzido por DJ Dolores e Ana Garcia, aproximou a ciranda de elementos eletrônicos, do manguebeat e de outras referências, preservando a zabumba e o canto coletivo no centro do trabalho. A partir desse momento, Lia iniciou nova fase de apresentações nacionais e internacionais e passou a ocupar espaços como o cinema — com participação em “Bacurau” —, exposições e festivais de grande porte. Em 2024, apresentou-se no Rock in Rio.
Ao longo da trajetória, Lia recebeu títulos e reconhecimentos públicos: a Ordem do Mérito Cultural em 2004, o registro como Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2005 e o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Pernambuco em 2019. Em 2022, houve uma ocupação dedicada à artista por uma instituição cultural, reunindo figurinos, fotografias, documentos e registros de sua vida e carreira. Sete anos depois da concessão do título acadêmico, Lia retorna à própria UFPE como atração da estreia do AFROPUNK no Recife.
No AFROPUNK, Lia divide o palco com Daúde, cantora que construiu carreira aproximando MPB, música eletrônica, samba, soul e ritmos de origem africana. A parceria entre as duas foi consolidada no álbum “Pelos Olhos do Mar”, lançado em novembro de 2025, trabalho com produção de Pupillo e Marcus Preto e participações de compositores e intérpretes variados.
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