O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou, na última terça-feira, 02 de junho de 2026, sobre as recentes alegações do governo dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas comerciais “irrazoáveis”. Em sua fala, Lula destacou que os EUA têm um superávit de US$ 415 bilhões na relação comercial com o Brasil nos últimos 15 anos e, portanto, se alguém deveria considerar a aplicação de tarifas, esse papel caberia ao Brasil.
Durante seu discurso, o presidente lembrou que tanto ele quanto o presidente estadunidense Donald Trump concordaram em dar um prazo de 30 dias para que fossem apresentadas evidências concretas sobre as alegações comerciais. “Se eu estiver errado, eu aceito; se você estiver errado, você aceita. E demos 30 dias. Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, afirmou Lula, referindo-se a conversas que ocorreram na Casa Branca no início de maio.
O presidente brasileiro também reiterou a importância da verdade nas relações internacionais. Ele declarou: “Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira”. Essa afirmação foi feita em resposta às alegações feitas pelos EUA de que as políticas brasileiras são “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.
O relatório que fundamenta as alegações do governo dos EUA prevê a possibilidade de impor tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros, o que foi interpretado por Lula como uma tentativa de deslealdade comercial. O presidente também fez um apontamento sobre o apoio da oposição às tarifas, lembrando que, no passado, quando Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, alguns membros da família do ex-presidente Jair Bolsonaro expressaram apoio à medida.
“No dia que ele [Trump] taxou, vou dizer o que fez os meninos do Bolsonaro. Um deles, que é candidato à Presidência, tuitou no dia 9 de julho de 2025: ‘Obrigado, Trump, faça o Brasil livre de novo’”, recordou Lula.
O evento em que Lula fez suas declarações ocorreu durante a inauguração de um novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO). O presidente concluiu suas observações reiterando o compromisso do Brasil em buscar um comércio justo e baseado na transparência e na verdade.
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