Mais de 574 mil pessoas utilizaram a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, desenvolvida pelo governo federal, para bloquear o acesso a sites de apostas autorizados a operar no Brasil. Essa ferramenta foi criada para ajudar aqueles que enfrentam dificuldades relacionadas ao jogo, oferecendo um meio de proteção e autocontrole.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, 207 mil usuários, o que representa 41% dos pedidos, relataram a perda de controle sobre as apostas e possíveis danos à saúde mental como as principais razões para solicitar o bloqueio. Além disso, 18% dos usuários mencionaram preocupações com vazamentos de dados, enquanto 12% indicaram problemas financeiros como fatores relevantes em sua decisão.
“Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O sistema, lançado em dezembro de 2025 pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, permite que os interessados façam um único pedido para bloquear o acesso a todos os sites de apostas autorizados. Os usuários têm a opção de escolher entre um bloqueio por tempo indeterminado ou por um período específico, que pode variar de um a 12 meses. Até o momento, 69% das pessoas optaram pelo bloqueio indeterminado, enquanto 31% escolheram um prazo determinado, sendo um ano o período mais comum.
Além do bloqueio, a autoexclusão impede novos cadastros e a recepção de publicidade direcionada sobre apostas. A Plataforma Centralizada também disponibiliza informações sobre saúde mental, orientações de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e um questionário da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para avaliação da saúde financeira dos usuários.
A iniciativa do governo faz parte de uma estratégia mais ampla de prevenção e cuidado, que inclui investimento em pesquisas sobre os impactos das apostas na saúde dos brasileiros. Recentemente, foi assinado um Termo de Execução Descentralizada (TED) que destina R$ 6 milhões para a primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental, a ser conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A recomendação das autoridades é que, em caso de dificuldades, as pessoas busquem apoio especializado nas unidades básicas de saúde (UBS) ou em centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de profissionais de saúde de confiança.
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