Em quatro anos Marina Sena lançou três álbuns e evitou repetir fórmulas mesmo após o hit 'Por Supuesto'. Do pop leve à eletrônica e à colagem de ritmos, a cantora mudou estética e som a cada ciclo.
Em quatro anos, Marina Sena lançou três álbuns e escolheu não repetir fórmulas mesmo após o sucesso de uma música de grande alcance. O hit “Por Supuesto” poderia ter virado molde para trabalhos subsequentes, mas a cantora optou por mudanças constantes na estética e na sonoridade entre 2021 e 2025.
O percurso solo de Marina passou por distintas fases: do pop arejado e da imagem de miss em De Primeira, à atmosfera eletrônica de Vício Inerente, até a colagem de ritmos e instrumentos de Coisas Naturais. Antes de assinar discos com o próprio nome, Marina dividiu voz, repertório e decisões artísticas com outros projetos. Em Montes Claros, integrou A Outra Banda da Lua, onde começou a transformar composições em trabalho de palco. Em Belo Horizonte, fez parte do quarteto Rosa Neon, que ganhou espaço na cena independente e encerrou atividades em 2020, após o sucesso de “Ombrim”.
As mudanças de rumo e estética sempre foram frequentes na trajetória da artista. Marina resumiu essa lógica camaleônica ao comentar o segundo disco, destacando a necessidade de não repetir a si mesma.
“O artista não pode ser cover de si mesmo”
De Primeira, lançado em agosto de 2021 e produzido por Iuri Rio Branco — descrito então como namorado da cantora — reuniu músicas amadurecidas ao longo de anos. O álbum mesclou pop, MPB, samba, axé, reggae e dancehall sem a obrigação de caber numa única prateleira. A capa transformou essa diversidade em personagem: Marina posa como uma candidata a miss, com cores e referências populares, e essa imagem apresentou a cantora a um público mais amplo sem se tornar um uniforme definitivo.
Dois anos depois, Vício Inerente refletiu a mudança da artista para São Paulo e incorporou beats, sintetizadores e referências de trap, R&B, drill, funk, grime e reggaeton. Na época do lançamento, Marina disse que queria representar uma passagem de espaço social e geográfico.
“uma menina que saiu do interior e foi morar na capital”
Em 2025, Coisas Naturais foi gravado em um sítio em São Roque, no interior de São Paulo, com Janluska, André Oliva e Matheus Bragança. A direção musical passou para Janluska, e os arranjos trouxeram banda, percussão e violão de volta ao primeiro plano, sem abandonar beats e sintetizadores. Sobre o processo, Marina comentou a busca por um estado inicial de criação.
“Tive que buscar a inocência do começo”
Na capa e na sonoridade de Coisas Naturais, o futurismo deu lugar a uma colagem de texturas, objetos e cores. Musicalmente, o álbum aproximou elementos de pop-rock, bossa nova, samba, bachata, reggaeton, reggae, funk, lo-fi e brega, evidenciando a variedade de influências que marcaram as três fases da carreira solo de Marina Sena.
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