Antes de ultrapassar 400 milhões de streams, Marina Sena sofreu com a falta de tempo para música. Para criar o terceiro disco, ela alugou um sítio em São Roque, reuniu músicos e passou dez dias compondo e gravando.
Antes de ultrapassar a marca de 400 milhões de streams, Marina Sena enfrentou uma dificuldade básica: faltava tempo para fazer música. Com a carreira em crescimento e a agenda mais cheia, a rotina de longas horas com um violão e ensaios sem hora para terminar havia ficado para trás.
Para iniciar o terceiro disco solo, a cantora decidiu recuperar esse ritmo de trabalho. Ela alugou um sítio em São Roque, no interior paulista, reuniu músicos com quem já havia tocado desde a época de A Outra Banda da Lua e passou dez dias tocando, compondo e gravando.
O projeto resultou no álbum Coisas Naturais, lançado em 31 de março de 2025. O começo foi expressivo: cerca de 4 milhões de reproduções no Spotify no primeiro dia, todas as 13 faixas simultaneamente entre as cem mais ouvidas do Brasil e a sexta maior estreia mundial daquela semana na plataforma. Um ano e quatro meses depois do lançamento, em agosto de 2026, o disco ultrapassou 400 milhões de streams no Spotify e se tornou o mais reproduzido da carreira da artista na plataforma.
“Tive que buscar a inocência do começo”
A ideia por trás do álbum não foi um exercício de nostalgia, mas de método: voltar a uma prática de tocar em banda e a uma postura mais livre de criação — a cantora chegou a mencionar desejar recuperar a ‘Marininha de Taiobeiras’ e a experiência que marcou sua formação em Montes Claros. A direção musical ficou a cargo de Janluska, e o repertório aproximou violão, percussão e sonoridades diversas, como reggaeton, funk, bossa nova, pop-rock e brega.
“Não se pode esperar nada específico”
Ao anunciar o projeto, a artista já ressaltava que não pretendia repetir fórmulas. Depois de De Primeira (2021) e do ambiente mais urbano e eletrônico de Vício Inerente (2023), Coisas Naturais representou uma outra movimentação estética e criativa.
O álbum recebeu indicações importantes: concorreu a Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa e teve a canção “Ouro de Tolo” indicada como Melhor Canção em Língua Portuguesa. Apesar de não ter vencido nas categorias, a artista destacou o significado de ver o trabalho reconhecido em diferentes frentes.
“Ter meu álbum lá me valida de certa forma”
Além das indicações, o disco voltou a ganhar destaque comercial e de público ao longo do tempo. Em dezembro de 2025, o single “Numa Ilha” venceu Pop do Ano no Prêmio Multishow, numa fase em que o álbum já circulava há meses. Em uma cultura em que o feed pressiona por novidades constantes, Coisas Naturais envelheceu em público: singles, shows, premiações e indicações deram motivos para que ouvintes retornassem ao repertório em momentos diferentes.
Linha do tempo de “Coisas Naturais”
- 4 dez. 2024: “Numa Ilha” — primeiro single apresenta a nova fase.
- 31 mar. 2025: “Coisas Naturais” — cerca de 4 milhões de streams no Spotify no primeiro dia; as 13 faixas entram no Top 100 brasileiro.
- 17 set. 2025: Grammy Latino — o álbum e “Ouro de Tolo” recebem indicações.
- 9 dez. 2025: Prêmio Multishow — “Numa Ilha” vence Pop do Ano; “Lua Cheia” também estava indicada na categoria.
- 13 ago. 2026: 400 milhões — o álbum ultrapassa a marca no Spotify e se torna o mais reproduzido da carreira da artista na plataforma.
O percurso de Coisas Naturais mostra que um álbum pensado para desacelerar e reencontrar um modo de criar pode também conquistar espaço duradouro no mercado e na vida dos ouvintes, combinando repertório autoral, desempenho em streaming, circulação em premiações e presença em shows ao longo do tempo.
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