Em Carauari (AM), o fortalecimento do acesso à saúde tem trazido esperança à população ribeirinha. Francisco Solivan, líder local, relembra a perda da mãe no parto, quando a distância impedia socorro médico adequado.
No município de Carauari, localizado no interior do Amazonas, a realidade da saúde tem mudado para melhor, trazendo esperança à população ribeirinha. Francisco Solivan Peres de Araújo, morador da zona rural e atual presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru), compartilha uma história pessoal que reflete os desafios enfrentados pela comunidade. Ele perdeu a mãe durante o parto de sua irmã, um evento trágico que ocorreu em tempos em que a distância entre a zona rural e a urbana impedia o acesso a atendimento médico adequado.
As dificuldades enfrentadas pelos moradores da região eram comuns, com relatos de perdas e traumas devido à falta de infraestrutura e recursos para deslocamento até as cidades. Carauari, um dos maiores municípios do Brasil, apresenta uma vasta extensão territorial, com mais de 25,7 mil quilômetros quadrados. O deslocamento entre as comunidades ribeirinhas e a zona urbana pode durar horas ou até dias, dependendo da condição dos rios e do tipo de embarcação utilizada.
Recentemente, uma expedição levou jornalistas a conhecer de perto as comunidades ribeirinhas, revelando histórias de pessoas que, se tivessem acesso a políticas públicas de saúde na época, poderiam ter tido desfechos diferentes. O sistema de lanchas de resgate, implantado pela prefeitura nos anos 90, melhorou a situação, mas ainda existem relatos de demora no atendimento, o que pode ser um risco em situações de emergência.
Adriana da Silva e Silva, por exemplo, viveu uma experiência traumática após ser picada por uma cobra. O resgate demorou mais de 24 horas para chegar, e ela sofreu complicações graves devido à falta de atendimento imediato. Apesar dos esforços dos médicos, que conseguiram salvar sua perna após quatro cirurgias, Adriana ainda convive com sequelas que afetam sua mobilidade.
Outra história é de Raimundo Viana da Cunha, que perdeu seu irmão devido à falta de assistência médica. Ele relembra que, até os anos 90, a saúde na região era precária e dependia de comerciantes ambulantes, conhecidos como regatões, para o transporte até a cidade. Após uma longa espera por atendimento, seu irmão não sobreviveu, uma tragédia que ainda deixa marcas em sua memória.
Esses relatos ressaltam a importância de um olhar mais atento para a saúde pública na região do Médio Juruá. Desde que organizações começaram a atuar em defesa dos direitos da população, houve uma melhora significativa no acesso a serviços de saúde, mas o caminho é longo e ainda há desafios a serem enfrentados.
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