O Ministério da Saúde determinou a suspensão temporária da vacina contra a dengue do Butantan. Municípios devem manter os imunizantes armazenados enquanto autoridades investigam reações graves e dois óbitos.
Os municípios e estados devem manter em armazenamento as vacinas contra a dengue do Butantan até que novas orientações sejam emitidas pelo Ministério da Saúde. A informação foi divulgada por Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.
Na última segunda-feira, dia 8 de junho, o Ministério da Saúde decidiu suspender temporariamente a aplicação da vacina após o registro de 42 casos de reações adversas graves e duas mortes, que estão sendo investigadas para determinar se há relação com a vacina. A orientação é clara: os municípios devem colocar o imunobiológico em reserva dentro da rede de frio, sem distribuir mais vacinas de dengue por enquanto. Os estados que possuem vacinas em estoque também devem mantê-las guardadas até novas instruções.
“Os municípios que eventualmente tenham vacinas no seu território devem também guardar essas vacinas até segunda ordem”, afirmou Eder Gatti em entrevista à Rádio Nacional.
A vigilância de rotina do Programa Nacional de Imunização foi responsável por identificar as 42 pessoas que apresentaram sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes, episódios de sangramento e até perda de consciência. Destes, três casos foram considerados graves e necessitaram de internação, resultando em duas mortes.
Até o dia 30 de maio, mais de 501 mil pessoas foram vacinadas com este imunizante, incluindo profissionais de saúde e indivíduos acima de 15 anos em três cidades: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além da região de Araguaína (TO).
A suspensão temporária é uma medida de precaução adotada pelo Ministério da Saúde para evitar riscos até que os casos identificados sejam esclarecidos. Segundo as autoridades, essa decisão não implica que a vacina perdeu sua eficácia na prevenção de casos e mortes por dengue.
Os casos adversos registrados são considerados inusitados, pois não apareceram durante os testes clínicos. Gatti explicou que a detecção de eventos raros costuma ocorrer após a vacinação em larga escala. “A vigilância do programa é que capta esses casos, demonstrando que a vigilância do Programa Nacional de Imunização está funcionando bem, cuidando da qualidade e segurança da vacinação na nossa população”, afirmou.
A expectativa é que, após a divulgação dos casos de reações adversas e a suspensão da vacina, novas notificações possam ser identificadas. Gatti ressaltou que as pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem ficar atentas a sintomas como febre, dor no corpo, manchas na pele, sangramento e vômito, e buscar atendimento médico se apresentarem tais sinais.
“As pessoas precisam ficar atentas e, se tiverem algum desses sintomas, devem procurar um serviço de saúde”, orientou o diretor.
Para aqueles que foram vacinados há mais de 21 dias, não há risco. Gatti destacou que esse grupo está protegido contra a dengue, uma vez que a vacina do Butantan previne em 65% a ocorrência da doença e mais de 80% dos casos graves e hospitalizações.
Um comitê de especialistas está sendo convocado para realizar estudos e avaliar as reações adversas detectadas. “A partir dessa avaliação, definiremos prazos e uma decisão final”, completou Gatti. Enquanto isso, a vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda e recomendada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua sendo aplicada normalmente, sem apresentar qualquer sinal de insegurança.
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