Após intensa pressão pública, Javier Milei retirou do Senado o projeto que ampliava a venda de terras a estrangeiros. Governadores, artistas e atletas lideraram as mobilizações.
No dia 06 de agosto de 2026, o governo argentino, liderado por Javier Milei, decidiu retirar da votação no Senado um projeto que ampliava a venda de terras do país para estrangeiros, conhecido como ‘estrangeirização das terras argentinas’. Essa decisão foi influenciada pela mobilização social que reuniu figuras de diversos setores, incluindo governadores, artistas e atletas, demonstrando a resistência da população a essa proposta.
A proposta original buscava eliminar qualquer limitação à venda de terras a estrangeiros, mas, após a pressão popular, o texto que seria votado era uma versão mais moderada, aumentando o limite de 15% para 25% do total de terras de cada província que poderiam ser adquiridas por estrangeiros. O governo justificou que essa limitação dificultava os investimentos internacionais no país.
Um dos fatores que catalisou a mobilização foi a recente exibição da faixa ‘as Malvinas são argentinas’ pelos jogadores da seleção nacional durante a semifinal da Copa do Mundo, pouco antes da votação do projeto no Senado. O ativista ambientalista Hernán Hougassian, que participou das manifestações, ressaltou a importância desse símbolo na luta contra a proposta de venda de terras. Segundo ele, a frase ressoou fortemente com a memória da guerra das Malvinas e acendeu a indignação popular.
As manifestações, que reuniram milhares de pessoas em Buenos Aires, ganharam apoio de artistas renomados, como Lali Espósito e Nicki Nicole, que mobilizaram suas bases de seguidores para se manifestarem contra a proposta. O cientista político Leandro Gabiati comentou sobre a formação de uma ‘grande maioria politicamente transversal’ que se opôs à medida, indicando uma divisão interna no governo, especialmente com a posição contrária da vice-presidente Victoria Villarruel.
Além da retirada do projeto de estrangeirização de terras, o governo Milei manteve a votação de outra proposta controversa, que permite a venda de áreas protegidas afetadas por incêndios florestais. Essa questão também gerou críticas, uma vez que a legislação atual proíbe a venda de tais áreas por 30 anos, visando evitar o uso de incêndios para facilitar a mudança de uso do solo.
O governo argentino declarou que está ‘reavaliando’ a proposta de venda de terras a estrangeiros, mas não forneceu um cronograma claro sobre quando o assunto poderá ser novamente discutido no Senado. Enquanto isso, a mobilização da sociedade civil continua, com o objetivo de garantir a proteção do patrimônio nacional e ambiental do país.
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