O produtor Hélio Pimentel Filho, 70, morreu nesta segunda em Curitiba vítima de pneumonia. Internado no Hospital São Vicente, deixou mais de 50 anos de contribuição à música, ao rádio e à produção de shows.
A morte de Hélio Pimentel Filho, conhecido como Helinho Pimentel, aos 70 anos, nesta segunda-feira (30), deixa um vazio na cena cultural paranaense. Internado no Hospital São Vicente em decorrência de uma pneumonia, o empresário e produtor encerrou uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada à música, ao rádio e à realização de grandes eventos em Curitiba.
A carreira de Helinho começou ainda nos anos 1970. Em 1976, ele criou o programa de rádio A Grande Alquimia e, em 1979, participou da organização de seu primeiro grande show, Adeus, 70, no Círculo Militar, com as bandas Tutti Frutti e Blindagem. Nos anos seguintes, atuou por cerca de três anos como empresário de artistas e grupos, entre eles Baby do Brasil, Pepeu Gomes e A Cor do Som.
Na década de 1980, Helinho idealizou a rádio Estação Primeira FM, uma das emissoras pioneiras em programação dedicada ao rock em Curitiba. Posteriormente, esteve ligado à 96 Rock e ajudou a idealizar e estruturar a identidade musical da Mundo Livre FM. Também esteve entre os responsáveis pela criação do Festival Lupaluna, que integrou o calendário de grandes eventos da cidade.
Uma das relações mais simbólicas de sua trajetória foi com a Pedreira Paulo Leminski. Amigo próximo do poeta Paulo Leminski, Helinho contava que os dois já imaginavam, no fim dos anos 1970, o potencial da antiga pedreira para receber festivais. Em 1990, a convite do então prefeito Jaime Lerner, participou da transformação do local em espaço para grandes apresentações, atuando na promoção, por meio da rádio Estação Primeira, e na produção dos shows realizados nos primeiros anos de existência da Pedreira.
Em 2012, Helinho, Dody Sirena e Cicão Chies, da DC Set, juntamente com Patrik Cornelsen, venceram a licitação para a concessão da Pedreira Paulo Leminski e da Ópera de Arame. A partir de 2013, Helinho passou a liderar a gestão do complexo e participou diretamente de sua revitalização e da retomada da Pedreira como palco de artistas nacionais e internacionais.
Nos últimos anos, na função de CEO do Parque Jaime Lerner, esteve à frente da ampliação do uso do complexo para além dos grandes shows, com projetos voltados à ocupação permanente do espaço. Entre as iniciativas está a Rua da Música, inaugurada em 2025, que conectou a Pedreira Paulo Leminski e a Ópera de Arame por meio de música, gastronomia, cultura e convivência.
Em dezembro de 2025, Helinho recebeu o título de Cidadão Benemérito do Paraná, em reconhecimento à sua contribuição para a cultura do estado. Após sua morte, a Prefeitura de Curitiba decretou luto oficial e destacou sua contribuição para transformar a cidade em destino de grandes encontros, shows e manifestações culturais.
Fica o registro de uma carreira marcada pela promoção de espaços e eventos que ajudaram a consolidar Curitiba no mapa da música nacional, além do legado deixado na memória de profissionais, artistas e público que acompanharam sua trajetória.

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