Autoridades do Ministério Público visitaram o HUL/UFS para avaliar condições de trabalho e instalações. A ação reforça o compromisso com a dignidade dos trabalhadores e a qualidade do atendimento à população sergipana.
Na quarta-feira, 17 de junho de 2026, o Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) e o Ministério Público Federal (MPF) realizaram uma inspeção no Hospital Universitário de Lagarto (HUL/UFS), localizado no Centro-Sul sergipano. O objetivo da diligência foi verificar as condições das instalações da unidade e a organização do trabalho.
A vice-procuradora-chefa do MPT-SE, Clarisse Farias Malta, e o procurador da República Ígor Miranda lideraram a inspeção, acompanhados pelo perito do MPT-SE, Jorge Alvarez, além de representantes da unidade hospitalar, da HU Brasil, que administra o hospital, do Hospital do Amor e do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares do Estado de Sergipe (Sindserh/SE).
A ação está vinculada a investigações em andamento no MPT-SE, que abordam temas como as condições de trabalho, o dimensionamento das equipes assistenciais e os riscos psicossociais no HUL/UFS. Ao chegarem ao hospital, a equipe encontrou diversos relatos sobre a sobrecarga de trabalho enfrentada pelos profissionais.
“Durante a diligência, foram observadas situações que merecem aprofundamento no âmbito dos procedimentos em curso, entre elas relatos de sobrecarga de trabalho, déficit de profissionais em determinados setores, afastamentos por adoecimento e dificuldades enfrentadas pelas equipes assistenciais diante da elevada demanda da unidade hospitalar”, explicou a procuradora Clarisse Farias Malta.
Os profissionais também relataram problemas na estrutura e organização interna do hospital, incluindo uma área de isolamento improvisada para pacientes. A inspeção revelou irregularidades em áreas destinadas às refeições das equipes de Saúde e nos dormitórios dos profissionais, que apresentavam colchões danificados.
O MPF já havia emitido recomendações ao HUL/UFS e à HU Brasil para adequar as escalas médicas, visando garantir um número suficiente de profissionais para cobrir todos os plantões e especialidades essenciais. Outras recomendações incluem o controle de frequência por registro biométrico, reordenamento dos fluxos assistenciais e ampliação do número de leitos, entre outros aspectos relacionados ao atendimento na unidade de saúde.
Além da inspeção, foi realizada uma reunião com o reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), André Maurício Souza, juntamente com representantes do HUL/UFS, HU Brasil, Hospital do Amor e Sindserh/SE. Durante o encontro, o MPT apresentou os principais pontos que estão sendo investigados e buscou entender as medidas adotadas pela instituição para gerenciar os riscos ocupacionais decorrentes da organização do trabalho.
Segundo a procuradora Clarisse Farias Malta, apesar de o HUL/UFS ter características próprias, funcionando em regime de portas abertas e atendendo um grande volume de pacientes, a instituição ainda não demonstrou de forma suficiente que os riscos ocupacionais relacionados à alegada insuficiência de pessoal estão devidamente identificados, avaliados, controlados e monitorados. “Chamou atenção a ausência de dados consolidados sobre adoecimento mental, especialmente com recorte por setor e categoria profissional”, observou.
A equipe prosseguirá na análise dos dados da inspeção, em conjunto com os demais elementos dos procedimentos, para determinar as providências a serem tomadas.

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