O EP de quatro faixas amplia o olhar sobre sociedade, tempo e rotina, e mistura gerações da música brasileira. Participações incluem BNegão, Kiko Dinucci e nomes da cena atual como Thalin, Nabru e Sol.
A Naimaculada lançou nesta segunda-feira (14) o EP Acromatopsia, trabalho de quatro faixas que aponta para uma direção diferente em relação ao primeiro álbum da banda, A Cor Mais Próxima do Cinza (2025). O novo registro amplia o olhar sobre as relações com a sociedade, o tempo, os objetos e a rotina, ao mesmo tempo em que promove encontros entre gerações distintas da música brasileira.
O trabalho aproxima nomes como BNegão e Kiko Dinucci de artistas de uma geração mais recente, entre eles Thalin, Nabru e Sol. Essas colaborações aparecem em combinações variadas ao longo das quatro faixas, mantendo um diálogo entre referências e sonoridades diversas.
O conceito do EP parte do próprio título: acromatopsia é um distúrbio visual que reduz a percepção das cores, fazendo com que o mundo seja visto predominantemente em tons de preto, branco e cinza. A ideia para o título surgiu a partir da observação da vida cotidiana em São Paulo, segundo a banda.
“O primeiro intuito do título era inspirado por a gente andando por São Paulo e ver tudo preto e branco. É tudo diferente, mas seguindo um padrão”
O repertório desloca a experiência urbana explorada em A Cor Mais Próxima do Cinza para a forma como as pessoas assimilam e se relacionam com o que as cerca. A faixa “Pecado Tem Medo”, com BNegão e Thalin, integra o universo do álbum Maria Esmeralda e aborda a relação de um artista com a rotina contemporânea. “Shangrilá”, com participação de Nabru, parte das dificuldades e contradições da vida artística.
Em “Terminal Bandeira”, Kiko Dinucci participa na guitarra em uma faixa que problematiza a conformidade distópica presente no cotidiano. O EP encerra com “O Que É Que Será”, parceria com Sol, da banda Ímola, que trata da paralisia dos movimentos coletivos.
Parte das gravações de Acromatopsia foi realizada em Shijiazhuang, na China, com a participação de músicos locais que utilizaram instrumentos associados à tradição musical chinesa, o que amplia o horizonte sonoro do projeto.
O lançamento saiu pelo selo Deck e traz também uma mudança na formação da banda: a guitarrista Duda Freitas participou do desenvolvimento dos arranjos e das composições do novo trabalho e passa a integrar oficialmente a Naimaculada. Com a chegada de Duda, a banda passa a contar com duas guitarras, ao lado de Samuel Xavier.
A formação atual da Naimaculada inclui ainda Luiz Viegas (baixo), Gabriel Gadelha (sopros) e Pietro Benedan (bateria), mantendo a proposta de mesclar timbres e gerações em um mesmo projeto.
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