Desde as tendas de 2001, o projeto plantou na poeira a raiz da cultura eletrônica, centrada no PLUR — Paz, Amor, União e Respeito. Hoje celebra 25 anos de comunhão, fé e inclusão nas pistas do festival.
Em 2001, o Rock in Rio recebeu tendas na Cidade do Rock sobre um chão que misturava grama e terra. Uma dessas estruturas já trazia na poeira a raiz da música eletrônica vista nas pistas ao redor do mundo, marcando o início de uma presença que viria a se consolidar ao longo de 25 anos no festival.
Nesse cenário inicial era possível perceber a presença do PLUR, acrônimo para “Paz, Amor, União e Respeito”, conceito originado na cultura rave e que segue como um dos lemas de quem frequenta a cena eletrônica, em busca de comunhão e pertencimento.
“Na música eletrônica existe esse lugar de cultura e de valores essenciais no mundo de hoje: pertencimento, conexão. Há, na pista de dança, um respeito às diferenças, uma cultura de paz, valores pelos quais, na minha visão, a música eletrônica se alastrou muito”
— Claudio da Rocha Miranda Filho, curador artístico do palco.
Ao longo das edições seguintes, a eletrônica manteve presença (2011, 2013, 2015, 2017) até 2019, quando passou a exigir maior estrutura. O amadurecimento do mercado e a circulação do público por experiências como Tomorrowland e Ultra no Brasil foram determinantes para a transformação do formato no festival.
“Já havia um amadurecimento grande do mercado, que demandava uma imponência maior, um gigantismo de palco, de estrutura, de storytelling”
— Claudio da Rocha Miranda Filho, curador artístico do palco.
Nascia então o New Dance Order, palco que chegou para traduzir um zeitgeist. O nome faz eco à ideia de “nova ordem mundial”, trocando o mundo pela dança, uma ordem que nasce na pista a partir da conexão entre estranhos. O palco passou a ter dimensões impressionantes: 22,5 metros de altura, 56,5 metros de largura e 502 m² de painéis de LED.
Na estreia de 2019, o New Dance Order apresentou uma narrativa ambientada em 2085, em um futuro distópico dominado por inteligência artificial, onde uma resistência humana busca conexão real. Para compor esse universo visual, a curadoria usou um estudo dos arquétipos de Carl Jung aplicados à experiência da rave — o Rebelde, o Celebrante, o Mago e a Tribo —, enfatizando pertencimento, transcendência e comunidade.
“Há uma camada de transcendência, de conexão, de ambivalência entre o eu e o outro, que é a eletrônica. Acho que isso torna mais viscerais esses valores que encantam e fazem a pessoa pensar: ‘entendi, estou aqui presente, pertencido, sou mais forte, quero melhorar o mundo, quero fazer melhor'”
— Claudio da Rocha Miranda Filho, curador artístico do palco.
Estudos e levantamentos apontam crescimento da eletrônica no Brasil e no exterior. Um levantamento sobre consumo musical indicou que, entre os estilos analisados nos Estados Unidos em 2026, a eletrônica registrou a maior expansão, com crescimento de 18,9% em streams sob demanda. No Brasil, o gênero ganhou relevância estratégica na indústria cultural, conforme diagnóstico de entidades do setor.
O protagonismo brasileiro também é destacado pela curadoria, que compara a presença nacional ao “Brazilian Storm” em outros segmentos culturais. Ao mesmo tempo, o planejamento do line-up passa a considerar critérios de bilheteria e orientação de negócios, incorporando a eletrônica ao centro da estratégia do festival.
“A música eletrônica está no coração da estratégia do Rock in Rio, nesses 25 anos que comemoramos em 2026”
— Claudio da Rocha Miranda Filho, curador artístico do palco.




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