As Nações Unidas (ONU) buscam promover a saúde mental através da Copa do Mundo de Futebol, destacando a importância do esporte para o bem-estar das comunidades. O Escritório da Juventude da ONU realizará um evento sobre este tema na sede da organização, em Nova York, nesta sexta-feira, 17 de julho de 2026.
Com o tema “Um Mundo, Um Jogo, Um Objetivo: O Futebol como um Catalisador para a Saúde Mental e Bem-Estar da Juventude”, o encontro reunirá jovens, governos, representantes do setor privado e da sociedade civil para discutir a promoção da saúde mental por meio do futebol. Essa iniciativa está embasada em um relatório da ONU que revelou que uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos enfrenta problemas de saúde mental, além do crescimento da depressão entre adolescentes e jovens adultos nos últimos anos.
“O mesmo relatório constatou que a prática de esportes coletivos está associada a menores taxas de depressão e ansiedade, independentemente do país, mas que muitos jovens enfrentam barreiras para uma participação significativa no esporte”, informou a ONU News.
A proposta é aproveitar a capacidade do futebol de construir comunidades e promover o pertencimento, além de incentivar os jovens a superarem seus próprios limites, elementos que são fundamentais para o cuidado da saúde mental.
No Brasil, a Copa do Mundo Feminina está programada para 2027, e o coordenador do evento sugere que a pauta do combate à violência de gênero seja uma prioridade. Pedro Trengrouse, da Fifa Master Alumni, afirmou:
“Hoje é a saúde mental, amanhã na Copa do Mundo Feminina no Brasil, por exemplo, precisa ser a questão de gênero. Um país como o nosso, que tem o índice de feminicídio que nós temos, não pode receber a Copa do Mundo Feminina sem tratar dessa questão.”
Outro ponto abordado é o uso crescente de sites de apostas online, as chamadas bets, que têm sido associadas ao agravamento da saúde mental de apostadores, em função de perdas financeiras e endividamento. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) alertou que a paixão pelo futebol pode ser manipulada por empresas de apostas online. Um levantamento da fintech Klavi revelou que, durante a atual Copa do Mundo, foram enviados R$ 944 milhões a casas de apostas, com R$ 17,9 milhões somente na quinta-feira, 16 de julho.
“Eventos esportivos de grande mobilização emocional tendem a ampliar significativamente a exposição da população à publicidade de bets, atingindo não apenas apostadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirmou o Idec.
Diante do aumento da demanda por atendimento psicológico para jogadores compulsivos de apostas, o Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu ampliar a oferta de teleatendimento. O Ministério da Saúde destacou a importância de reconhecer que a prática de apostas pode se tornar um problema, causando danos significativos à saúde física e mental, às relações sociais e à vida financeira, comprometendo a qualidade de vida.
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