Em show no Palco Sunset, Péricles deixou samba e pagode de lado para interpretar clássicos da gravadora. O repertório percorreu soul e R&B de Marvin Gaye, Stevie Wonder e The Jackson 5.
Nesta segunda-feira (7), o Palco Sunset do Rock in Rio recebeu o espetáculo “Péricles Canta Motown”, no qual o cantor deixou temporariamente de lado o repertório de samba e pagode que o consagrou para revisitar as referências que ajudaram a moldar sua formação musical.
O show foi dedicado ao legado da gravadora Motown e aos artistas que marcaram a história do soul e do R&B. Clássicos associados a Marvin Gaye, Stevie Wonder, The Jackson 5 e The Temptations integraram o repertório, passando por canções como “I Heard It Through the Grapevine”, “My Girl”, “I’ll Be There” e “Ain’t No Mountain High Enough”.
Em vez de buscar recriar as versões originais, Péricles apresentou interpretações próprias dessas faixas. A banda e os backing vocals tiveram papel central na construção dos arranjos, oferecendo suporte aos diferentes timbres e à voz grave do cantor, que transitou com naturalidade pelo soul e pelo romantismo evidenciado em momentos como a execução de “Cruisin'”.
“A minha responsabilidade é grande, porque a Motown me formou, né? O som da Motown me formou, assim como o som do Fundo de Quintal me ajudou a me formar. O som da Motown ajudou a me formar, a mim e a vários dos meus — o olhar de respeito pela música, o que fazer, o que não fazer, são grandes exemplos aí”
Antes de cantar “Cruisin'”, o artista convocou o público a participar do momento romântico da apresentação, pedindo que quem estivesse acompanhado fizesse uma declaração no local ou que ligasse para a pessoa amada. A orientação foi atendida imediatamente: casais se abraçaram e demonstraram carinho enquanto a canção era interpretada.
O figurino contribuiu para o clima da homenagem: Péricles surgiu com terno de risca de giz, óculos escuros e um manto com estampas que remetiam a rostos de referências da música negra norte-americana, reforçando a conexão estética com as grandes estrelas do soul das décadas de 1960 e 1970.
“Quando era jovem, negro de periferia, vi esses exemplos e falei: ‘Bicho, isso é legal, esse caminho eu vou seguir; esse caminho eu não posso seguir'”
A homenagem teve também dimensão simbólica. Ao comentar o significado de ocupar um palco interpretando artistas que o inspiraram, Péricles ampliou a ideia do tributo, destacando a responsabilidade de servir de referência para novas gerações.
“A gente faz parte de algo muito maior. E é esse pensamento que a gente tem que guardar no coração e levar sempre pra frente.”
O repertório e a condução do show mostraram a intenção de preservar o espírito das músicas da Motown ao mesmo tempo em que imprimiram a marca do intérprete, reunindo soul, R&B e romance em uma apresentação que ressaltou tanto a tradição quanto a interpretação pessoal do cantor.
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