Cerca de 27 milhões de peruanos decidem neste domingo seu novo presidente. O país enfrenta o desafio de superar anos de turbulência política com nove líderes em dez anos.
Neste domingo, 7 de junho de 2026, cerca de 27 milhões de eleitores do Peru se dirigem às urnas para eleger o nono presidente em uma década marcada por instabilidade política. Desde 2016, o país enfrentou a renúncia de dois presidentes e a destituição de seis outros, com o parlamento peruano exercendo um papel significativo na política local.
No segundo turno, a disputa é entre a candidata de direita Keiko Fujimori, que obteve 17,1% dos votos no primeiro turno, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino, que ficou com 12,0%. A eleição é cercada de incertezas, mesmo com a vantagem inicial de Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou de 1990 a 2000.
“A polarização natural tem a ver com as últimas décadas e é possível que novos votos anti-Fujimori apareçam”, afirma o antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A figura de Keiko Fujimori também carrega uma pesada herança, uma vez que ela é ligada a um passado de violações de direitos humanos, incluindo a esterilização forçada de mulheres indígenas. Por outro lado, Roberto Sánchez, ex-ministro do destituído Pedro Castillo, promete reformas sociais e uma nova constituição, buscando ampliar direitos e representar o voto do interior do país.
“Ele pegou o chapéu do Castillo. Também representa o voto do interior que é mais difícil de medir nas pesquisas”, complementa Schavelzon.
A eleição de 2026 acontece em um contexto geopolítico que pode alterar a relação do Peru com os Estados Unidos e outros países da América Latina. A vitória de Fujimori pode intensificar o alinhamento com os EUA, enquanto a vitória de Sánchez deve manter uma postura mais pragmática, sem rupturas significativas nas relações internacionais.
A crise política no Peru se agrava com a lembrança do último presidente que cumpriu um mandato, Ollanta Humala, condenado por corrupção e preso. Também está preso Pedro Castillo, que foi destituído e condenado por tentativa de golpe. Dina Boluarte, sua vice, assumiu o cargo, mas sua gestão foi marcada por repressão e baixa aprovação popular, culminando em sua destituição em outubro de 2025.
Com a instabilidade política que permeia o país, o resultado das eleições deste domingo é aguardado com expectativa, podendo trazer mudanças significativas para o futuro político do Peru.
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