A avaliação trienal de 15 anos mostrou estabilidade frente a 2022, com médias brasileiras de 408 (leitura), 377 (matemática) e 409 (ciências). Apesar de avanços nas últimas décadas, o país ainda fica abaixo da OCDE.
A educação brasileira manteve desempenho inferior ao de países desenvolvidos, mas reduziu a diferença nas últimas duas décadas, segundo os resultados do Pisa referentes a 2025, divulgados nesta terça-feira (8). Aplicado a cada três anos, o exame avalia estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências.
Com os dados de 2025, que se mantiveram estáveis em relação a 2022, o Brasil ficou abaixo da média dos países da OCDE nas três disciplinas: 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Na média de 23 países da OCDE, os resultados foram, respectivamente, 466 (leitura), 469 (matemática) e 486 (ciências). Cada 20 pontos equivalem a aproximadamente um ano escolar; em matemática, a diferença representa cerca de 4,6 anos de atraso em relação à média dos membros da OCDE.
A distância entre o Brasil e a média da OCDE já foi maior: entre 2006 e 2025 houve redução de diferença de 44 pontos em leitura (de 102 para 58), de 39 pontos em matemática (de 131 para 92) e de 36 pontos em ciências (de 113 para 77).
O ciclo de 2025 envolveu 760 mil estudantes em 91 países; o Brasil participou com 30.140 estudantes. Do total brasileiro avaliado, 72,4% eram oriundos de escolas da rede estadual, das quais 96,9% estavam em áreas urbanas. Cerca de 84,7% dos alunos avaliados estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do Ensino Médio quando as provas foram aplicadas, entre abril e maio de 2025.
Na comparação com 2022, a maior evolução do Brasil ocorreu em ciências, com salto de 403 para 409 pontos. O levantamento apontou também que o país apresentou melhor recuperação após a pandemia de covid-19 do que a média da OCDE: entre 2018 e 2025 o Brasil recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em ciências e registrou perdas menores que a média da OCDE em leitura e matemática.
Nesta edição, o Pisa incluiu um novo domínio relacionado à “Aprendizagem no Mundo Digital”, com dois atributos: Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC) e Processos de Aprendizagem Autorregulada. Para RPFC, o Brasil obteve 406 pontos, abaixo da média da OCDE (500); entre 19 países selecionados, a Coreia do Sul registrou a maior média (538) e o Paraguai a menor (352).
Os questionários contextuais mostraram aumento das restrições ao uso de celulares em sala de aula: 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas com regras sobre o dispositivo, ante 37% em 2022; a média da OCDE foi de 49%.
“O resultado também reflete a implementação da Lei nº 15.100/2025, que estabeleceu regras para o uso de celulares na educação básica em todo o país”.
Em indicadores de atitude, 72% dos estudantes brasileiros afirmaram interesse por diversos assuntos e 59% disseram se esforçar mais diante de desafios. A parcela que considera a escola uma perda de tempo caiu para 16%, abaixo da média da OCDE (24%) e 6,9 pontos menor que em 2022. Alunos que valorizam a escola obtêm, em média, 35 pontos a mais em ciências do que colegas que a desvalorizam (média OCDE: 27 pontos).
Os dados também apontaram forte engajamento dos estudantes brasileiros com questões ambientais: 84% acreditam poder gerar impacto positivo no meio ambiente, 87% confiam na ação coletiva e 77% dizem saber trabalhar em grupo para promover mudanças, percentuais superiores à média da OCDE.
O Pisa é coordenado pela OCDE e é considerado o maior estudo internacional de educação, aplicado a cada três anos a estudantes de 15 anos desde 2000.
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