Uma educadora de escola pública paulistana foi eleita a professora mais influente do mundo. Seu projeto nasceu da realidade dos alunos e prova que criatividade e dedicação transformam vidas.
A professora Débora Garofalo, atuante em uma escola pública municipal em São Paulo, foi recentemente homenageada como a professora mais influente do mundo na nova categoria do Global Teacher Prize. Este reconhecimento vem após uma trajetória significativa que começou em 2015, com seu projeto de robótica utilizando sucata, voltado para alunos do ensino fundamental.
O projeto, que nasceu na EMEF Almirante Ary Parreiras, se destacou por abordar problemas locais, como a presença de lixo e suas consequências para a saúde das crianças. Débora afirma que, ao observar que 70% dos alunos consideravam o lixo um problema em suas vidas, decidiu utilizar esse desafio como uma oportunidade de aprendizado. “Eu preferi a segunda opção, mesmo sabendo que ia dar muito trabalho”, ressalta a professora.
“O primeiro protótipo que nós fizemos virou uma febre na escola. Era um carrinho feito com o lixo que a gente retirou da rua, utilizando uma bexiga e a lei da física, a Terceira Lei de Newton”, conta Débora.
Com o sucesso do projeto, a professora conseguiu reduzir a evasão escolar em 93%, além de ter retirado mais de uma tonelada de lixo das ruas. O projeto não só melhorou o desempenho escolar dos alunos, aumentando o Ideb da escola de 4,2 para 5,2, como também se tornou uma política pública estadual, beneficiando 5,4 mil escolas e 3,7 milhões de estudantes em São Paulo.
O reconhecimento de Débora Garofalo não se limita ao Global Teacher Influencer of the Year. Na última quinta-feira (11), ela também recebeu o Prêmio Faz Diferença 2025, na categoria Educação, em uma cerimônia realizada na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. Esse prêmio reforça a importância de sua contribuição para a educação, destacando seu papel na transformação da realidade de seus alunos e da comunidade.
Além disso, a professora enfatiza o valor do envolvimento da comunidade no processo educacional. A realização de feiras de tecnologias, que reuniram mais de 500 pessoas em sua última edição, ajudou a integrar a comunidade e a fomentar um ambiente de aprendizado colaborativo. “As crianças começaram a criar uma cultura diferenciada”, afirma.
Em suas entrevistas, Débora compartilha a visão de que o uso da tecnologia na educação não depende exclusivamente de dispositivos eletrônicos. Sua abordagem inovadora e engajadora tem inspirado muitos educadores e reforçado a importância de se adaptar ao contexto local para promover um aprendizado significativo.

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