A Páscoa é uma celebração central tanto para judeus quanto para cristãos, mas seu significado, origem e forma de observância são distintos. O pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes ressalta a centralidade da ressurreição de Cristo para a fé cristã, com base no texto de 1 Coríntios 15:20. Segundo ele, a mensagem da Páscoa vai além da crucificação e encontra seu ápice na vitória de Jesus sobre a morte, proporcionando libertação àqueles que creem.
“A Páscoa não termina na sexta-feira da morte de Cristo, mas no domingo, com a celebração vitoriosa da ressurreição”, afirma. Para o pastor, esse evento representa um marco decisivo: “Jesus entrou nas entranhas da morte, venceu o seu poder e inaugurou a imortalidade”.
De acordo com Lopes, a ressurreição é o fundamento do cristianismo. “Se a morte tivesse prevalecido, não haveria esperança. O cristianismo teria desaparecido no seu início”, declara. Ele enfatiza ainda que a vitória de Cristo garante a fé dos cristãos: “A morte não pôde detê-lo. Ele triunfou e se tornou as primícias daqueles que dormem [no Senhor]”.
O pastor também destaca que essa verdade tem sido questionada ao longo da história, mas permanece sustentada por evidências. “Desde os primeiros tempos surgiram tentativas de negar a ressurreição, mas os relatos são consistentes. Cristo apareceu a muitos, inclusive a mais de 500 pessoas”, disse. Segundo ele, trata-se de “um fato histórico e um artigo de fé inabalável”.
Ao comentar o ensinamento do apóstolo Paulo, Lopes lembra que negar a ressurreição compromete toda a mensagem cristã. “Se Cristo não ressuscitou, a fé perde o sentido e não há esperança”, explica. Ele cita que o próprio texto bíblico reafirma: “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos”.
Para o pastor, a ressurreição também aponta para o futuro dos cristãos. “Temos a promessa de um corpo glorioso, incorruptível e eterno, semelhante ao de Cristo”, atesta. Ele acrescenta que essa esperança transforma a maneira de encarar a vida e a morte: “Não caminhamos para um fim definitivo, mas para a eternidade com Deus”.
Lopes conclui reforçando o significado cristão da Páscoa. “Não se trata de uma celebração simbólica ou comercial. É a mensagem da vitória da vida sobre a morte e da esperança de um futuro eterno ao lado do Senhor.”
Pessach: libertação dos hebreus
A festividade judaica de Pessach marca um dos momentos mais significativos do calendário religioso judaico, ao relembrar a libertação dos hebreus da escravidão no Egito, conforme descrito no livro de Êxodo. Mais do que um evento histórico, a data é considerada um período de reflexão espiritual, renovação da fé e transmissão dos valores judaicos entre as gerações.
Em 2026, a celebração teve início ao pôr do sol de 1º de abril e segue até a noite de 9 de abril, totalizando oito dias. A abertura é marcada pelo tradicional Sêder de Pessach, uma refeição ritual que segue uma ordem específica de leituras, orações e símbolos. Durante esse momento, as famílias se reúnem para reviver a narrativa da saída do Egito por meio da leitura da Hagadá, texto que orienta toda a cerimônia.
A mesa do Sêder é composta por elementos simbólicos que ajudam a contar essa história. Entre eles está o matzá, pão sem fermento que recorda a saída apressada do Egito. Também estão presentes as ervas amargas, que representam o sofrimento da escravidão, e o charosset, uma mistura que simboliza a argamassa utilizada pelos hebreus durante o período de opressão. Cada item remete aos desafios enfrentados e à intervenção divina na libertação do povo.
Durante todo o período de Pessach, alimentos fermentados são retirados das casas e evitados na alimentação, reforçando o compromisso com a tradição e a memória do Êxodo. Outro costume que antecede a festa é o jejum dos primogênitos, em referência à preservação dos filhos mais velhos dos israelitas durante a última das pragas do Egito.
O rabino Eliahu Hasky destaca ainda o papel educativo da celebração, especialmente no contexto educativo e familiar. “Uma das partes mais bonitas do Pessach é a participação das crianças, que fazem perguntas e ajudam a contar a história da libertação. Isso garante que a memória, a fé e os valores do povo judeu continuem vivos em cada geração”, explica.
Em meio a desafios contemporâneos, incluindo tensões envolvendo Israel, a mensagem da festividade ganha novos significados. “Assim como no relato bíblico, quando o povo judeu enfrentou forças poderosas que tentavam impedir sua liberdade, também hoje vemos ameaças à segurança e à existência de Israel. A história de Pessach nos ensina que a fé, a união e a determinação podem superar até os maiores desafios”, assevera o rabino Hasky.
Eliahu finaliza ressaltando a atualidade da celebração. “A história do Êxodo continua sendo uma fonte de inspiração. Pessach é um convite permanente à reflexão sobre liberdade, responsabilidade e preservação dos valores que sustentam o povo judeu ao longo dos séculos.”
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