Nesta sexta, a banda norte-americana sobe ao Palco Mundo às 21h20, na sequência do The Hives e antes do Foo Fighters. Há 15 anos abriram em casas pequenas no Brasil; hoje chegam como atração principal.
O Rise Against costumava ouvir o álbum ao vivo “Rock in Rio”, do Iron Maiden, dentro da van a caminho de shows. Nesta sexta-feira (4), a história ganha outro capítulo: a banda norte-americana sobe ao Palco Mundo do festival às 21h20, na sequência do The Hives e antes do Foo Fighters.
A dimensão da apresentação contrasta com a primeira passagem do grupo pelo Brasil, há 15 anos. Em fevereiro de 2011, o Rise Against estreou no país com apresentações no Curitiba Master Hall e no Carioca Club, em São Paulo. Naquele período, a permanência no Brasil ainda parecia incerta.
“Quando viemos ao Brasil pela primeira vez, tocamos em um show pequeno. Ficamos em um hotelzinho fora da cidade. Tudo tinha aquele clima de: ‘Será que isso vai mesmo acontecer?’. Era um show punk”
O comentário acima foi feito por Tim McIlrath, vocalista e guitarrista da banda, em entrevista antes da apresentação no Rock in Rio. Na mesma entrevista, ele recordou a incerteza sobre o futuro da relação com o público brasileiro e o que a banda sentia naquele momento inicial.
“A gente não sabia se algum dia conseguiria voltar ao Brasil. Não sabíamos nem se tínhamos fãs aqui.”
A resposta a essa dúvida veio nos anos seguintes. O Rise Against retornou ao país em diferentes ocasiões, dividiu programação com o Prophets of Rage em 2017, participou do Lollapalooza Brasil em 2023 e esteve de volta em 2025 na turnê brasileira do The Offspring, com datas que incluíram Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Para McIlrath, a presença no Palco Mundo representa um avanço entre aquele primeiro contato e o momento atual.
A estreia no Rock in Rio acontece pouco mais de um ano depois do lançamento de “Ricochet”, décimo álbum de estúdio do Rise Against, disponibilizado em 15 de agosto de 2025. O disco parte da ideia de que ações individuais produzem consequências coletivas — um efeito de ricochete em que a raiva, o conflito e as decisões de uma pessoa atingem outras.
A raiva atravessa a discografia da banda, que construiu sua trajetória em torno de confronto, inconformismo e temas sociais. McIlrath relatou como a música passou a ser uma via de canalizar esse sentimento, especialmente na juventude, quando a raiva nem sempre era administrada de forma construtiva.
“Quando eu era mais novo, era um garoto meio vândalo, fazia muita besteira. Mais tarde percebi que estava com raiva e colocando essa raiva nos lugares errados.”
“A música virou uma saída artística, uma maneira de expressar essa raiva que não era apenas saudável para mim, mas que também conseguia se comunicar com outras pessoas. E isso fazia com que todos nós nos sentíssemos menos sozinhos nesse processo.”
McIlrath associou diretamente essa função à própria natureza do gênero que acompanha o Rise Against desde sua formação.
“Para mim, isso é o punk. O punk, por natureza, é muito confrontador. Então a música que fazemos sempre teve esse elemento de confronto.”
A apresentação no Palco Mundo, marcada para as 21h20 desta sexta-feira (4), será acompanhada das expectativas geradas por décadas de trabalho e pelos lançamentos mais recentes da banda.
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