No primeiro semestre de 2026, Sergipe experimentou um crescimento significativo de 25,8% no número de doações de órgãos e tecidos, totalizando 168 captações. Essa conquista representa um reflexo da conscientização da população sobre a importância da doação e do trabalho humanizado das equipes de saúde.
Um caso emblemático ocorreu no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), onde um paciente de 61 anos, natural de Simão Dias, foi admitido após sofrer um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC-H). Após a confirmação do protocolo de morte encefálica, a família tomou a difícil decisão de autorizar a doação dos órgãos, resultando na captação de fígado, rins e córneas. O fígado foi destinado a um paciente no Rio de Janeiro, enquanto os rins seguiram para o Rio Grande do Sul e as córneas beneficiaram pacientes em Sergipe.
A coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Sergipe, Darcyana Lisboa, salientou a importância do acolhimento humanizado às famílias durante esse momento delicado. “Durante todo o processo, acompanhamos cada etapa do protocolo de morte encefálica, desde a realização dos exames clínicos até a confirmação diagnóstica. Paralelamente, existe um trabalho fundamental de acolhimento com os familiares, onde a conversa precisa ocorrer de forma humanizada, com escuta e respeito”, afirmou.
Os dados da Central Estadual de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe (SES), revelam que, além das 168 captações, foram realizados 116 transplantes, incluindo córneas. O número de doadores efetivos também cresceu, passando de 23 no primeiro semestre de 2025 para 31 em 2026, refletindo o aumento da conscientização sobre a doação de órgãos.
Darcyana destacou que esse avanço é um sinal positivo e mostra que a população está cada vez mais ciente da importância desse gesto de solidariedade. “O aumento no número de doadores demonstra que a população está cada vez mais consciente sobre a importância desse gesto de solidariedade, que salva vidas e oferece a pessoas que aguardam por um transplante a oportunidade de recomeçar”, ressaltou.
Entre os tipos de doações, as córneas lideraram, com 91 captações no semestre. Além disso, este ano, Sergipe registrou um marco histórico ao realizar, pela primeira vez, três transplantes hepáticos, que até então eram realizados fora do estado. Benito Fernandez, coordenador da Central Estadual de Transplantes, enfatizou a importância desses avanços para a saúde pública estadual. “Conseguir oferecer esse cuidado aqui significa garantir mais acolhimento, reduzir deslocamentos e proporcionar mais conforto e dignidade durante todo o processo de tratamento”, concluiu.





Fonte: Saúde – Sergipe
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