A sífilis, infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, continua a ser um desafio significativo para a saúde pública. Em 2026, foram registrados 899 episódios de sífilis na população geral, 395 em gestantes e 94 casos de sífilis congênita, que ocorre quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê. Diante desse cenário preocupante, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde, promoveu uma capacitação voltada para profissionais de saúde nesta sexta-feira, 12 de junho. O treinamento focou na vigilância, diagnóstico e manejo adequado de pacientes com sífilis, abrangendo profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS), Vigilância Epidemiológica, maternidades e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).
Um dos temas centrais abordados durante a capacitação foi a sífilis congênita. Apesar da disponibilidade de diagnóstico e tratamento eficazes, os casos de transmissão vertical da sífilis continuam elevados em Sergipe. Somente neste ano, entre janeiro e junho, o estado já contabilizou 94 episódios de sífilis congênita. Em 2025, foram registrados 313 casos da doença e 1.288 registros em gestantes. A alta transmissibilidade da infecção, principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas, e o diagnóstico tardio são fatores que contribuem para esse cenário.
A referência técnica da sífilis da SES, Lourdes Lima, ressaltou a importância da capacitação:
“Com essa capacitação, buscamos que os profissionais se atualizem quanto ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno da sífilis, especialmente nas gestantes. O nosso foco é prevenir a transmissão vertical, assim como fortalecer a assistência prestada à população. A sífilis, quando tratada, tem cura. Por isso é tão importante que tanto a gestante quanto o parceiro, quando diagnosticados, realizem o tratamento correto para que não haja reinfecção. Precisamos quebrar essa cadeia de transmissão”,
destacou.Em 2025, das 1.288 gestantes diagnosticadas com sífilis, 720 parceiros não foram tratados. Neste ano, das 395 gestantes com a infecção, 208 parceiros recusaram o tratamento. Isso reforça a necessidade de que as equipes da APS realizem busca ativa dessas gestantes e seus parceiros.
O infectologista e diretor de Vigilância em Saúde da SES, Marco Aurélio, também enfatizou a importância do manejo clínico nas maternidades:
“A nossa capacitação também tem o intuito de melhorar o cuidado com a gestante e o recém-nascido. Apesar de a gestante diagnosticada com sífilis ter todo um acompanhamento no pré-natal, é fundamental que a maternidade consiga avaliar se essa mulher foi tratada adequadamente ou se precisará de novas doses de medicação. Vamos focar nesse tema, entendendo que a sífilis congênita também é uma das causas da mortalidade infantil”,
afirmou.A capacitação se mostrou essencial para os profissionais que estão na linha de frente do combate à sífilis. A enfermeira da Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Indiaroba, Moara Oliveira, destacou:
“Esse treinamento faz com que nós, profissionais que atuamos diretamente na área, estejamos capacitados para realizar ações de investigação de forma correta e coerente, de acordo com o que o Ministério da Saúde determina e com o que a população precisa”,
frisou.A sífilis é uma infecção que pode ser silenciosa, apresentando poucos ou nenhum sintoma visível. Portanto, é essencial que a população realize exames e testagens regularmente. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em todo o país oferecem testes rápidos para sífilis de forma gratuita, com resultados em cerca de dez minutos. O tratamento é realizado com penicilina e varia entre dose única e esquemas de até seis aplicações, concluídas em três semanas consecutivas.





Fonte: Saúde – Sergipe
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