Evento da SBPT em Brasília revelou queda de até 84,8% nas hospitalizações de pacientes com fibrose cística. Mais de 2,4 mil pessoas já recebem a terapia no SUS, ofertada há quase dois anos.
O uso do medicamento Trikafta no tratamento da fibrose cística reduziu em até 84,8% as internações de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS). Os primeiros resultados da terapia de alto custo, que é ofertada na rede pública há quase dois anos, foram apresentados hoje em um evento na Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), em Brasília.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, atualmente, mais de 2,4 mil pacientes utilizam a terapia no sistema público. Na rede privada, o custo de uma caixa de medicação é, em média, R$ 194,5 mil, e o tratamento pode chegar a R$ 2,5 milhões por paciente ao ano.
Além da redução significativa nas internações, os números indicam que o Trikafta também diminuiu em até 91,6% a necessidade de oxigenioterapia domiciliar para pessoas com fibrose cística. Observou-se, ainda, um aumento médio de 10 a 14 pontos na função pulmonar dos pacientes, redução dos ciclos de inflamação e infecção, e uma diminuição de 66,7% no uso de antibióticos sistêmicos. Os resultados também apontam para melhorias no estado nutricional dos pacientes.
Em nota, o Ministério da Saúde esclareceu que o estudo foi realizado ao longo de um ano e avaliou 647 pessoas, incluindo crianças, adolescentes e adultos, em tratamento com a terapia tripla moduladora elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor, conhecida como Trikafta. O acompanhamento foi conduzido em 39 centros de referência em todo o Brasil.
O medicamento pode ser retirado em farmácias de alto custo mediante a apresentação de receita médica devidamente emitida e carimbada por um médico especialista. O Trikafta é administrado em casa, por via oral, de acordo com as diretrizes de tratamento conforme o quadro clínico de cada paciente.
A fibrose cística é uma doença genética hereditária rara que faz com que o corpo produza um muco muito grosso e pegajoso. Essa condição entope os pulmões e o aparelho digestivo, causando tosses constantes, infecções respiratórias e dificuldade na digestão dos alimentos, o que pode dificultar o ganho de peso.
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