Na abertura da 81ª Assembleia Geral, o presidente dos EUA afirmou que não permitirá que 'ameaças' ganhem terreno no Hemisfério Ocidental. Citou ações recentes contra a Venezuela para justificar a postura.
Em discurso de quase 40 minutos na sede das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer ameaças de uso da força militar em países da América Latina e do Caribe para garantir interesses da Casa Branca na região. O discurso ocorreu na abertura da 81º Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e teve sequência às falas de outros chefes de Estado presentes.
Durante a intervenção, Trump referiu-se diretamente às ações recentes contra a Venezuela e afirmou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças à própria nação ganhem terreno no Hemisfério Ocidental. Em seguida, trouxe referência a um acordo petrolífero envolvendo a gestão venezuelana e uma empresa com ligação ao Pentágono.
Nossas ações na Venezuela provam que os EUA não permitirão mais que ameaças à América [EUA] ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA
O presidente destacou também a invasão promovida contra a Venezuela, ocorrida em janeiro deste ano, e mencionou ter comemorado um “acordo” petrolífero que, segundo ele, garante o controle de até 21% do petróleo venezuelano a uma empresa ligada ao Pentágono. Em outro trecho do discurso, comentou de forma enfática sobre os resultados dessas operações.
Foi uma guerra, mas talvez seja o maior negócio já realizado. Ao vencedor pertencem os espólios; todos vocês já ouviram isso
O texto do discurso registrou ainda que os Estados Unidos teriam prendido o presidente Nicolás Maduro sob a alegação de que Caracas seria um “narcoestado”, argumento que o material afirma ser rejeitado por especialistas. Segundo o conteúdo divulgado, o Departamento de Justiça dos EUA retirou posteriormente a acusação de que Maduro lideraria o chamado “Cartel de Los Soles”, e a existência desse grupo não é consenso entre especialistas. Na semana anterior, os EUA teriam retirado a Venezuela da lista de países que não combatem o narcotráfico, onde estaria desde 2005.
Em outro trecho, Trump fez comparações entre cartéis de drogas latino-americanos e organizações terroristas, afirmando que haviam sido mobilizadas forças armadas para agir contra essas facções.
Acionei as Forças Armadas dos Estados Unidos para eliminá-los. Os cartéis são o ISIS do Hemisfério Ocidental
A matéria relata que secretários de Estado dos EUA também têm feito comparações semelhantes, e que analistas alertaram que essa postura poderia ser usada como pretexto para interferir na política interna de países da região. A fala de Trump incluiu menções ao México e à necessidade, segundo ele, de que o país retome o controle de seu território.
A delegação de Cuba se retirou do plenário durante a fala do presidente dos EUA em sinal de protesto, conforme foi apontado. Antes da intervenção de Trump, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, havia ressaltado as pressões sofridas por países da América Latina e do Caribe por estarem próximos de uma grande potência militar.
Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais
O teor do discurso na Assembleia Geral suscitou reações diversas entre governos e analistas, diante das declarações sobre intervenções militares, comparações entre cartéis e organizações terroristas e referências a acordos estratégicos envolvendo recursos naturais.
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