Em conversa no videocast 'Conversa vai, conversa vem', a cantora afirmou que aceitar integrar Os Mutantes, em 2006, provocou o afastamento. Ela disse que guardará a tristeza pelo episódio.
A cantora Zélia Duncan falou pela primeira vez sobre o rompimento da amizade com Rita Lee (1947–2023), relação que se encerrou após a decisão de Zélia de aceitar o convite para integrar a turnê dos Mutantes, em 2006. Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, Zélia afirmou que não conseguiu se reconciliar com Rita antes da morte da artista, em 2023.
“Infelizmente, não. É uma tristeza que vou levar pra sempre. Só tive amor por Rita e aquele momento foi duro”
Segundo Zélia, o afastamento ocorreu depois que ela aceitou o convite para integrar Os Mutantes, banda fundada em 1966 por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. Rita participou do grupo até 1972, quando foi expulsa por Arnaldo por “não ter calibre como instrumentista”. Zélia relatou que consultou Rita antes de confirmar a participação na turnê e que recebeu uma resposta breve.
“Liguei para ela perguntando e ela me disse: ‘Vai se divertir com os mano’. E depois, sumiu. Tentei, claro, mas ela preferiu ficar na dela”
Zélia explicou que não antecipou que a escolha profissional pudesse afetar a amizade. Ela disse que Rita havia sido uma das pessoas que mencionaram seu nome para o projeto, o que tornou a situação ainda mais sensível para ambas.
“Foi ela quem falou, numa entrevista, quem deveria cantar com os Mutantes. Os empresários me ligaram e eu disse que tinha que ser ela”
Apesar do distanciamento, Zélia ressaltou a importância da convivência e da parceria artística com Rita. As duas compuseram juntas a canção “Pagu”, lançada por Rita no álbum “3001”, de 2000, e dividiram momentos profissionais, como a participação de Zélia em um DVD de Rita.
“Rita está dentro de mim, na minha vontade de cantar, de viver, de gostar de ser mulher”
Zélia lembrou que a passagem pelos Mutantes trouxe aprendizado e projeção internacional, citando até uma fotografia publicada pelo jornal The New York Times como marco daquele período. Ela classificou a experiência como enriquecedora para sua trajetória artística, mas também reconheceu o custo pessoal que acredita ter assumido.
“Tenho orgulho, vivi coisas que nunca imaginei. Mas tem certa maldição, entendi o rock and roll”
Em tom de arrependimento, Zélia afirmou que, se soubesse das consequências para a amizade, talvez tivesse tomado outra decisão, e relatou tentativas de aferir o sentimento de Rita antes de aceitar integrar a banda.
“Se soubesse que isso ia me custar a Rita, talvez não tivesse ido. Mas ela não me disse, não me deu um sinal”
“Perguntei: ‘Como é pra você? Tudo bem? Você que é minha amiga’. Não conseguiu dizer. Se tivesse me dito, teria mudado toda uma história.”
Zélia afirmou que preserva as lembranças e o valor da amizade, reconhecendo que os anos de convivência e a parceria em canções como “Pagu” permanecem como parte significativa de sua trajetória. A notícia foi publicada em 29/08/2026.
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