O Brasil anunciou que vai destinar anualmente US$ 100 milhões ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). Este mecanismo foi criado com o objetivo de reduzir as desigualdades entre os países que compõem o bloco sul-americano. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante uma reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), que ocorreu em Assunção, no Paraguai, nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026.
A formalização da proposta será realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira, 30 de junho, durante a Cúpula do Mercosul, onde estarão presentes os chefes de Estado dos países integrantes do bloco econômico. Este novo compromisso surge em um momento de negociações para a renovação do fundo, que foi criado em 2004 e tem como finalidade financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento regional.
O Focem é um fundo que visa apoiar as nações e regiões com menor desenvolvimento econômico dentro do Mercosul. Os recursos provenientes desse fundo são utilizados em diversas iniciativas, como a construção de rodovias, ferrovias, sistemas de energia, saneamento, habitação, escolas e laboratórios. O intuito é diminuir as diferenças entre os membros do bloco e fortalecer a integração, especialmente nas áreas de fronteira.
Atualmente, o Focem tem como meta receber até US$ 100 milhões anualmente de todos os países do Mercosul. O Brasil e a Argentina são os maiores financiadores desse mecanismo. De acordo com as regras vigentes, o Brasil responde por cerca de 70% das contribuições, enquanto a Argentina participa com aproximadamente 27%.
Ao anunciar o aumento da contribuição brasileira, o ministro Mauro Vieira ressaltou que a renovação do fundo não deve depender exclusivamente do Brasil. O governo espera que a Argentina também amplie sua participação financeira. Vieira enfatizou que os demais países do bloco precisam acompanhar esse esforço, especialmente os que são os principais beneficiários dos recursos.
Essa nova estratégia representa uma mudança em relação à proposta anterior do governo brasileiro, que sugeria a redução do tamanho do fundo para cerca de US$ 30 milhões anuais. Essa ideia enfrentou resistência por parte do Paraguai e do Uruguai.
Desde sua criação, o Focem já apoiou diversos projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos países do Mercosul. Entre as iniciativas financiadas estão obras de transporte, sistemas de energia, saneamento básico, melhorias urbanas e ações voltadas para comunidades em regiões de fronteira. O fundo também investe em projetos relacionados à cidadania indígena, desenvolvimento tecnológico e integração entre cidades vizinhas às fronteiras.
Os próximos passos para a renovação do Focem ainda dependem de um acordo entre os países do Mercosul e da aprovação dos respectivos Legislativos nacionais. Além do fundo, a Cúpula do Mercosul deve abordar novos acordos comerciais e medidas para ampliar a integração econômica entre os membros do bloco.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
