No dia 1º de julho de 2026, o governo brasileiro enviou um documento aos Estados Unidos, contestando a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sugerida pelo Representante Comercial dos EUA (USTR). O Itamaraty enfatizou que tal medida não apenas prejudicaria as empresas brasileiras, mas também teria impactos negativos para as próprias empresas norte-americanas.
O documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressalta que “amplas tarifas sobre produtos brasileiros imporiam custos reais à economia dos EUA”. O governo brasileiro argumentou que 43 empresas e associações comerciais dos EUA pediram a exclusão de produtos de quaisquer tarifas, destacando a inexistência de substitutos nacionais e os riscos de repasse de custos aos consumidores e indústrias americanas.
“Os participantes do mercado esperam que uma ampla implementação de tarifas prejudique, em vez de promover, os interesses econômicos dos EUA”, afirma o documento.
Além disso, o Brasil contestou a alegação do USTR de que o sistema de pagamentos Pix discrimina empresas dos EUA, lembrando que empresas como Google Pay Brasil e Visa operam dentro desse sistema. O Itamaraty destacou que essas informações contradizem a ideia de que o Pix é um mecanismo fechado que exclui empresas americanas.
O relatório do USTR, que resultou de uma investigação iniciada no governo de Donald Trump, alega práticas comerciais “desleais” do Brasil. O Itamaraty, por sua vez, argumentou que a proposta de tarifa poderia comprometer o diálogo entre os países, além de ser uma tentativa de interferir nas eleições brasileiras que se aproximam.
“Isso oneraria uma relação bilateral de comércio e investimento que é claramente importante para ambos os lados”, disse o ministro Vieira.
O governo brasileiro também refutou alegações do USTR com relação ao combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol. Vieira citou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reconhece o sistema de combate à corrupção no Brasil e contradiz a caracterização de falhas sistêmicas feitas pelo USTR.
O Brasil ainda argumentou que os acordos comerciais com o México e a Índia foram negociados de acordo com as regras do comércio global, refutando a ideia de que esses acordos são “irrazoáveis” apenas porque os EUA prefeririam não enfrentar a concorrência proveniente desses países.
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