Leilão online marcado para 30 de julho de 2026, pela VIP Leilões, tem lance inicial de R$ 53,6 milhões. A venda ocorre durante reestruturação dos Correios e acende debate sobre o destino do prédio histórico na Praça XV.
A antiga sede dos Correios, localizada na Rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro, será leiloada nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026. O imóvel, que é um dos edifícios históricos da região da Praça XV, terá um valor inicial estipulado em R$ 53,6 milhões. O leilão ocorrerá exclusivamente pela internet, utilizando a plataforma da VIP Leilões.
A realização deste leilão acontece em um contexto de reestruturação dos Correios, o que gera discussões sobre o futuro do edifício e sua relevância dentro do conjunto histórico e cultural da capital fluminense.
O prédio, que faz parte do conjunto arquitetônico da Praça XV, é tombado em nível federal e está próximo de marcos importantes, como o Paço Imperial, a Igreja da Candelária, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Centro Cultural França-Brasil. A presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Isabel Rocha, comentou sobre a situação do tombamento, esclarecendo que, embora o tombamento proteja as características do edifício, ele não impede a transferência de propriedade.
“O que um tombamento garante no caso de leilão de prédio público? Primeiro, é preciso esclarecer que o instrumento do tombamento não retira a propriedade. A propriedade continua sendo de pleno direito e gozo de quem a detém”, afirmou Isabel.
Ela também esclareceu que um imóvel tombado pode ser vendido, alugado ou cedido, mas o novo proprietário não poderá demolir ou descaracterizar o bem sem a autorização dos órgãos competentes. A preocupação do CAU/RJ, segundo Isabel, é principalmente sobre o uso futuro do imóvel e o impacto que isso poderá ter na paisagem histórica da região.
“Em um leilão não se tem controle, e não se pode ter, de quem vai ocupar e qual será o destino dado ao imóvel”, disse Isabel.
De acordo com a arquiteta, o futuro comprador deve ter plena consciência da importância histórica do imóvel. “Não se trata de qualquer imóvel em qualquer rua”, acrescentou.
Em uma nota, os Correios informaram que a venda do imóvel faz parte de uma revisão de sua carteira imobiliária e é parte do plano de reestruturação da empresa. Eles afirmaram que a racionalização de ativos ociosos ou subutilizados contribui para a redução de despesas e viabiliza o reinvestimento em modernização, além de apoiar o reequilíbrio financeiro da estatal.
O edifício, com cerca de 9 mil metros quadrados de área construída e um terreno de aproximadamente 1.585 metros quadrados, ocupa um quarteirão delimitado por ruas importantes do centro. Concebido ainda no período imperial, o prédio passou por várias ampliações ao longo de sua história e representa um marco na antiga capital brasileira.
Consultado, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que não interfere na transferência de propriedade ou posse de bens tombados, e que a responsabilidade pela integridade e manutenção do imóvel permanece com o proprietário, independente de mudanças na titularidade.
Além disso, o Iphan ressaltou que qualquer projeto de adaptação do edifício deverá atender às exigências dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio, sendo necessária a obtenção de licença prévia para qualquer obra nesse sentido.
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