O compositor e produtor se apresenta no festival nesta sexta (4). Criado em Piedade por uma avó adotiva, ele diz que 'a música me escolheu' e lembra ter 11 anos quando ela adoeceu.
Hitmaker vai subir ao Palco Favela do Rock in Rio nesta sexta-feira (4). A trajetória que o levou até o festival começou décadas atrás, em uma casa da Zona Norte do Rio de Janeiro, na comunidade de Piedade, em Água Santa.
Criado por uma avó adotiva, o compositor e produtor afirma que nunca escolheu a música.
“Foi a música que me escolheu”
Segundo o relato, a avó era fã de pagode e costumava ouvir Alexandre Pires e o Só Pra Contrariar no micro system da casa.Quando a avó adoeceu, Hitmaker tinha 11 anos. Sem compreender plenamente a situação, ele observou que ela, antes ativa e brincalhona, havia mudado.
“Aquilo me fazia muito mal, porque ela era o meu porto seguro”
A solução para o encontro com a música veio de um cavaquinho quebrado, emprestado por um vizinho maestro aposentado: o instrumento tinha apenas duas cordas e estava sem tampão. Ao abrir o encarte de um disco do Só Pra Contrariar, o então menino teve, conforme descreve, seu primeiro contato genuíno com a música.
“Só faltou aquela cena da Disney, com a luz batendo no rosto”
Ele passou a prometer à avó que um dia tocaria na rádio, conheceria Alexandre Pires e viveria de música. Para economizar, andava horas a pé e pagava para afinar o instrumento. Em cerca de três meses de prática, aprendeu sozinho a tocar “Interfone”, a música favorita da avó, do Só Pra Contrariar. No dia em que finalmente conseguiu tocá-la, ela morreu.
“Desde esse dia, eu só decidi cumprir todas as promessas que tinha feito para minha avó”
Essa promessa se transformou em carreira. Hitmaker começou como cantor de pagode e depois se destacou como compositor, assinando sucessos para artistas como Rodriguinho e Belo. Um encontro com o produtor Batutinha, então parceiro de Anitta e Naldo, abriu caminho para o trabalho no universo do funk. O desafio de escrever “com menos acordes” resultou em “Beijinho no Ombro”, hit de Valesca Popozuda que, segundo ele,
“mudou minha vida”
Mesmo com composições de sucesso, o artista relata que sentia um vazio ao ver outros cantarem suas músicas. A virada veio com uma sugestão de Anitta, durante a gravação da música “Combate”:
“Amigo, por que você não volta a cantar?”
Na mesma data, ele encontrou o contrato de dez anos que o prendia a um antigo empresário, justamente quando o documento completava uma década.“Não é possível que a Anitta tenha falado isso comigo, com tantas datas, justo hoje”
O retorno efetivo aos palcos como cantor se consolidou no ano passado com o projeto “Hit Dance”, um EP em parceria com a FitDance que uniu suas composições à dança e marcou o fechamento de um ciclo. Sobre essa etapa, ele afirmou:
“Agora eu vou cantar, vou compor, vou produzir, vou dançar também. Agora, sim, me sinto completo.”
Para o Rock in Rio 2026, a frase que resume sua trajetória também vai virar tatuagem:
“Nunca desista dos seus sonhos”
Hitmaker chega ao festival com essa história pessoal de superação e transformação, levando ao Palco Favela a experiência acumulada como compositor, produtor e agora artista em destaque.Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
