O DJ britânico Fatboy Slim chama o público brasileiro de 'família' e diz não saber explicar a forte conexão. Em Brighton, antes de embarcar, falou com bom humor sobre essa relação afetiva.
Trinta anos após contribuir para a renovação da música eletrônica, Fatboy Slim segue sendo tratado como uma referência do gênero. Na próxima segunda-feira (7), o DJ e produtor britânico fará sua estreia no Rock in Rio, e, antes de subir ao palco, falou sobre a relação afetiva que mantém com o público brasileiro.
Em conversa em sua casa, em Brighton, na Inglaterra, pouco antes de embarcar para mais um show, Fatboy Slim explicou, de forma bem-humorada, como enxerga essa conexão com o Brasil.
“Honestamente, não sei o que explica essa conexão. Acho que minha mãe dormiu com um brasileiro e nunca contou pra ninguém”
O artista comparou a chegada ao país a um reencontro familiar: a sensação de descobrir parentes desconhecidos que se assemelham e se comportam de forma semelhante.
“Quando cheguei ao Brasil, foi como conhecer o resto da sua família que você não sabia que existia. Aqui está sua meia-irmã e seu meio-irmão, que parecem exatamente com você e parecem se comportar exatamente como você”
Ao comentar sobre essa relação, Fatboy Slim comentou ainda a impossibilidade de confirmar a brincadeira por causa da perda da mãe.
“Não sei o que é. Só sei que estou muito feliz com essa relação. Minha mãe já morreu, então nunca vamos descobrir a verdade.”
O dia 7 terá um line-up com grandes nomes, e o britânico destacou a importância de dividir o mesmo espaço com artistas que considera referências.
“É maravilhoso, porque conheço os dois artistas e tenho um grande respeito por ambos. Então, estar no mesmo line-up é uma honra”
Ele acrescentou que, ao se apresentar em um festival de grande porte ao lado de artistas consagrados, sente que representa a música eletrônica de seu país e que essa posição traz responsabilidade.
“Quando você toca em um festival realmente grande, com o Elton John, o melhor cantor e compositor, ao lado de uma lenda brasileira como Gil, eu sinto que estou representando a música eletrônica da Inglaterra. É uma posição de grande honra, mas com ela vem grande responsabilidade”
Dia 07/09 – Line-up
- Elton John
- Gilberto Gil
- Fatboy Slim
Sobre o público brasileiro, Fatboy Slim destacou que os shows no Brasil costumam promover maior interação entre as pessoas, em comparação com apresentações em outros países.
“Foi como encontrar uma família há muito perdida que você não sabia que tinha, que curte música e dança do mesmo jeito que eu”
“Para mim, a música sempre foi sobre conectar seres humanos. À medida que você se conecta com outras pessoas, você consegue se perder e esquecer daquele trabalho chato que você tem que fazer durante a semana. E você consegue escapar, mas também fazer novos amigos”
O DJ também compartilhou uma interpretação pessoal sobre a influência da percussão na formação da música brasileira, contrapondo-a ao desenvolvimento musical nos Estados Unidos, segundo sua leitura histórica.
“Foi alguns anos depois do início da minha aventura brasileira que eu descobri essa teoria: quando os escravizados foram levados para os Estados Unidos, os donos de escravos não queriam que eles se rebelassem e se organizassem, e perceberam que a música era uma força muito poderosa. Então tiraram deles todos os instrumentos de percussão, todos os tambores… Já os escravizados que foram para o Brasil puderam manter seus tambores, e continuaram usando os tambores para celebrar”
Na esfera de parcerias, a ligação com o Brasil também aparece em lançamentos e remixes. Em 2025, a DJ e produtora Carola assinou um remix para o clássico “Ya Mama” de Fatboy Slim. Neste ano, ela lançou “Funk Drunk (feat. 7KY)”, parceria com Fatboy Slim e Felix Da Housecat. Sobre a colaboração, o britânico explicou como as contribuições se complementam: o ritmo vindo de um, a melodia de outro, e ele juntando tudo.
“A gente já é amigo há um tempo. Ela me mandou um remix de uma das minhas músicas há uns três ou quatro anos, e eu gostei muito. Então começamos a conversar, e depois lançamos o remix dela no meu selo… O ritmo vem do Felix, a melodia vem da Carola, e eu só junto tudo”
Fatboy Slim resumiu a essência da música afirmando que ritmo, melodia e emoção são os elementos centrais para tocar o público.
“Se você tem um ritmo que faz seu quadril se mexer e uma melodia que faz seu coração e depois sua cabeça sorrirem, isso é tudo que você precisa da música”
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