Mesmo com chuva, fãs lotaram o Nubank Parque neste domingo para receber Jay Kay e a banda, que não vinha ao país há oito anos. Vindos do Rock in Rio, os músicos mostraram repertório ampliado e Paul Turner deu workshop.
Não houve chuva capaz de desanimar os milhares de fãs do Jamiroquai, que, com capas de chuva, lotaram boa parte do Nubank Parque neste domingo (13). A banda, que não vinha ao Brasil havia oito anos, fez na sexta (11) um show elogiado no Rock in Rio 2026 e chegou a São Paulo com a vontade de mostrar um repertório mais amplo do que o reduzido tempo no festival permitiu.
Muitos músicos viajaram ao Brasil acompanhando o vocalista e líder Jay Kay e realizaram imersões musicais pela cidade antes da apresentação. Paul Turner, o baixista, passou o sábado dando um workshop em uma loja especializada em baixos em São Paulo. O baterista Derrick McKenzie fez um set como DJ na Soho House, tocando soulful house e disco. O percussionista Fabio de Oliveira levou parte dos colegas a uma roda de samba de raiz no bairro do Tatuapé.
No palco, além de McKenzie, Oliveira e Turner, estavam a tecladista Sara De Santis, responsável também pelos efeitos sonoros; um conjunto de sopros formado por Malcolm Strachan (trompete), James Russell (saxofone e flauta) e Jim Corry (saxofone); o guitarrista Rob Harris; o tecladista Matt Johnson; e o trio de backing vocals Valerie Etienne, Hazel Fernandez e Romina Johnson. Rick Pope, engenheiro de som que trabalha com a banda há mais de três décadas, foi destacado pela sonoridade do espetáculo.
O público mostrou alta fidelidade ao Jamiroquai, que já esteve em São Paulo em diversas ocasiões, entre elas a estreia no Free Jazz Festival de 1997, durante a turnê do álbum Travelling Without Moving. A apresentação trouxe clássicos como “Virtual Insanity”, “High Times” e “Cosmic Girl” e lembrou outras ocasiões em que a banda enfrentou chuva em shows no Brasil, como no festival Natura Nós de 2010.
Antes de executar “Virtual Insanity”, música que completa 30 anos, Jay Kay fez um breve discurso contextualizando a letra e a atualidade do tema, e em seguida tocou a faixa que trata de uma distopia tecnológica. A performance permitiu ao vocalista cantar e realizar as coreografias que marcam sua presença de palco, com voz afinada e energia renovada.
“Infelizmente essa letra está mais atual do que nunca, com tantos crimes de guerra acontecendo, homens matando mulheres e crianças todos os dias. Eu não quero saber do que esses caras têm a dizer”
O show transitou entre versões mais intimistas, com longos mergulhos instrumentais, e momentos dançantes e acelerados. A combinação de um grupo de músicos experiente, projeções visuais e som bem ajustado garantiu uma apresentação consistente, na qual a audiência dançou, aplaudiu e manteve-se presente mesmo sob chuva.
Setlist
- (Don’t) Give Hate a Chance
- Little L
- Seven Days in Sunny June
- Space Cowboy
- Alright
- High Times
- Disco Stays the Same
- Travelling Without Moving
- Canned Heat
- Cosmic Girl
- Love Foolosophy
- Virtual Insanity
Em quase duas horas de apresentação, a experiência mostrou por que o Jamiroquai mantém relevância: a fusão de jazz-funk, groove e elementos dançantes, aliada a arranjos sofisticados e execução precisa, consolidou a banda como referência para públicos que buscam música para ouvir e para dançar.



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