Uma indicação ao 27º Latin Grammy é honra e reconhecimento internacional, trazendo aceitação e validação a artistas. A premiação tem categorias gerais e específicas em português — e questões importantes ficam fora do foco.
Receber uma indicação ao 27º Latin Grammy é reconhecido como uma honra e um reconhecimento internacional. Para muitos artistas, a nomeação provoca uma sensação de aceitação e validação — independente da categoria em que aparecem.
Antes de citar os nomes, é importante entender a organização da premiação: há categorias generalistas, que reúnem artistas de todo o universo latino, e categorias específicas para a música em língua portuguesa. E, como costuma se ouvir, frases consoladoras como
“o importante é competir” ou “ser indicado já é uma vitória”
são verdadeiras enquanto se considera apenas a indicação; na prática, todo artista quer vencer.
No panorama latino, o Latin Grammy é hoje o prêmio mais relevante para a música que engloba a América Latina e a Península Ibérica. Dentre as indicações, chama a atenção a presença de nomes que gravam em português nas categorias generalistas, onde predominam artistas hispanohablantes.
Principais indicações brasileiras em categorias generalistas
- Loulu Gilberto — Gravação do Ano: “O Amor Nos Encontrou”
- Anitta — Álbum do Ano: “EQUILIBRIVM”
- Djavan — Melhor Álbum Cantor/Compositor: “Improviso”
- Zanna — Canção do Ano: “Nilo”
- Yamandu Costa — Melhor Álbum Instrumental: “Peregrino”
- Hamilton de Holanda — Melhor Álbum Instrumental: “NOVA”
Há ainda destaque para a categoria de Melhor Artista Revelação, com três brasileiros entre os onze indicados: Loulu Gilberto, Zeca Veloso e Dora Sanches — presença que tem significado simbólico de representação e estímulo para novos nomes da cena nacional.
Indicações nas categorias em língua portuguesa
- Zaynara — Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa: “Amor Perene”
- Juliana Linhares — Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa: “Até Cansar o Cansaço”
Esses exemplos reforçam a ideia de que a música em português se sustenta por si só e não depende de tradução para alcançar reconhecimento. Ainda assim, em uma premiação de grande porte e com forte presença de repertório em espanhol, obras em português correm o risco de ser menos visíveis no universo generalista.
Há também menções a instrumentistas consagrados e a figuras que, segundo o texto publicado, merecem reconhecimento constante, como um paralelo à tradição instrumental brasileira.
Ao final, fica uma reflexão: além do Brasil e de Portugal, a língua portuguesa é falada em países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e Timor-Leste. Diante disso, levanta-se a pergunta sobre a existência e a representatividade lusófona dentro do circuito do Latin Grammy —
por que não um Grammy Lusófono?
Coluna assinada por Paulo Junqueiro. Iniciou a carreira aos 21 anos, atuou em estúdios na Europa e no Brasil, passou por gravadoras como Warner Music Brasil, EMI e Sony Music em Portugal e no Brasil, onde exerceu cargos de direção, e é vencedor de um Grammy Award por “Quanta Live”, de Gilberto Gil. Hoje é Co-CEO da Meio Mundo.

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