O governo dos Estados Unidos anunciou, no dia 28 de maio de 2026, a designação das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). O comunicado foi feito pelo Departamento de Estado norte-americano e as medidas entrarão em vigor a partir do dia 5 de junho.
A decisão é fundamentada na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) e em uma ordem executiva do então presidente Donald Trump. A designação será oficializada após publicação no Federal Register, o diário oficial do governo dos Estados Unidos.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enfatizou que tanto o CV quanto o PCC são consideradas as organizações criminosas mais violentas do Brasil.
“Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil”,
afirmou Rubio.
O governo brasileiro, preocupado com essa designação, vinha tentando evitar que ela fosse anunciada, uma vez que poderia abrir espaço para ações militares dos EUA em território brasileiro ou a imposição de severas sanções econômicas e financeiras.
Especialistas alertam que essa designação pode representar um risco à soberania do Brasil e prejudicar a cooperação investigativa entre os dois países. Isso porque a mudança poderia resultar em um novo nível de sigilo nas informações compartilhadas entre os órgãos de segurança, centralizando-as na CIA ou em órgãos militares dos EUA.
Além disso, a nova designação pode dificultar investigações conjuntas em andamento e inviabilizar futuras colaborações entre os países. Durante o atual mandato, o governo Trump reorientou a política externa dos EUA em relação à América Latina, com um foco no combate ao que é chamado de “narcoterrorismo”.
Nos últimos meses, forças militares dos EUA realizaram ataques diretos a embarcações no Caribe, fora da jurisdição norte-americana, sob a justificativa de combate ao terrorismo. A invasão do território venezuelano no início do ano, que resultou na deposição do presidente Nicolás Maduro, também foi justificada na luta contra o narcoterrorismo.
A possibilidade de ações semelhantes em território brasileiro, com base nessa nova designação, é um risco real. No início de maio, durante uma visita aos EUA, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu com Donald Trump a criação de frentes de trabalho conjuntas para combater financeiramente as organizações criminosas que atuam em ambos os países. Contudo, segundo Lula, não houve discussão específica sobre o CV e o PCC.
O anúncio de Rubio também ocorreu em um contexto de encontros entre ele e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, que se reuniu com Trump um dia antes, ao lado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
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