No podcast Las Culturistas, Kelly Clarkson disse ver potencial criativo na IA e que se diverte explorando-a. Cobrou ainda identificação clara de obras geradas artificialmente para preservar a autoria humana.
A cantora Kelly Clarkson voltou a se manifestar sobre o uso da inteligência artificial (IA) na indústria musical durante o episódio mais recente do podcast Las Culturistas. Em tom franco, ela afirmou ver potencial criativo na tecnologia, mas fez ressalvas sobre a necessidade de diferenciar obras geradas artificialmente da produção humana.
“Polêmico? Não ligo: eu amo a IA”
Clarkson disse ainda que se interessa artisticamente pela temática e que se diverte explorando as possibilidades oferecidas pela IA. Ao comentar a reação do público e do setor, ela avaliou que a discussão está excessivamente polarizada e apresentou uma posição intermediária: bem-vinda para criação, desde que não passe por cima da autoria humana nas paradas de sucesso.
“Existem coisas incríveis com a IA que me fascinam. Artisticamente, também me interesso pelo assunto. Eu me divirto com isso.”
“Acho que ela é bem-vinda; acho muito legal o que vamos criar musicalmente com a IA”, disse ela aos apresentadores Matt Rogers e Bowen Yang.
Ao explicar seus limites, Clarkson afirmou que não vê problemas em parcerias entre tecnologia e artistas, mas demonstrou preocupação quando músicas geradas por IA competem diretamente com produções humanas nas paradas. Em suas palavras, essa situação mereceria tratamento distinto, inclusive com a criação de categorias específicas para preservar o elemento humano na música.
“Acho um campo divertido para explorar, mas não acho que deva competir com os humanos. Quando vejo artistas de IA competindo nas paradas de sucesso com humanos, aí sim tenho um problema.”
“Acho que deveria haver uma parada separada… Acho interessante, e há tantos avanços científicos incríveis acontecendo. Não acho que isso vá desaparecer, mas é preciso saber diferenciar. Não podemos perder o elemento humano. O que quero dizer é que pode haver espaço para ambos.”
No contexto do setor, empresas de IA musical, como a Suno, têm enfrentado processos judiciais por direitos autorais, com acusações de que modelos seriam treinados a partir de obras não licenciadas — uma prática criticada por diversos artistas. Em agosto, uma publicação setorial reafirmou compromissos de transparência quanto à identificação de faixas geradas por IA nas paradas musicais e citou a importância de ferramentas técnicas que detectem conteúdo artificial.
“Garantir a transparência em relação à música gerada por IA exige colaboração de toda a indústria — de artistas e gravadoras a plataformas de streaming, empresas de tecnologia e organizações do setor”, afirmou Silvio Pietroluongo, vice-presidente executivo de parcerias de dados e paradas musicais, na ocasião.
A declaração de Kelly Clarkson amplia o debate sobre limites e oportunidades da IA na música, trazendo à tona questões legais, éticas e de transparência que deverá continuar a movimentar artistas, gravadoras, plataformas e empresas de tecnologia nos próximos meses.
Siga o Clarim Gospel e receba as notícias do mundo gospel em primeira mão.
